A pandemia mostrou mais uma vez na história que os capitalistas trabalham não para o desenvolvimento social, mas para conseguir lucrar a todo custo. A política do governo da direita, disfarçada de soluções para amenizar os problemas causados pela pandemia à educação de ensino básico, é de destruição. Além de aproveitar o momento para fazer os capitalistas lucrarem, querem expulsar os estudantes da rede pública, abandonando-os à sorte.
A medida desesperada de suspensão das aulas presenciais no ensino básico gerou a necessidade de um plano específico para o setor, mas a situação dos pais e alunos está mostrando que estão sendo abandonados.
Os governos estaduais, no geral, estão tomando medidas para que, nas escolas públicas, a distribuição de merendas continue acontecendo apesar da ausência dos alunos. Não só isso, mas também fazer com que as aulas continuem acontecendo de qualquer forma, com intuito de não perder o ano letivo. Porém, o que está acontecendo não é isso, e os objetivos são de fato outros.
Somente na última quarta-feira (15), o governo do Distrito Federal, tomou as providências para que a distribuição dos alimentos acontecesse. A população de Brasília está passa fome e a medida do governo é oferecer a marmita que já vinha sendo ofertada antes. Esse é o caso de Maria Antônia da Silva, 38, que precisa sustentar 6 crianças numa casa, onde mora de aluguel, que custa R$ 450,00. Suas crianças são usuárias do sistema público de ensino básico e a alimentação escolar é essencial para o sustento da casa. Sua renda normal é de auxílios do governo que somam 500 reais, complementada com faxinas, muitas vezes incertas. Agora, sem as faxinas ficou não só impossível de sobreviver, mas torturante.
Desde que se inventou no Brasil, através de muita pressão dos trabalhadores que queriam educar seus filhos, o ensino público apresenta altos índices de evasão escolar por falta de alimentação. Ou seja, não ter condições de estudar por estar com fome. Não conseguir assimilar a leitura, não conseguir se concentrar no que faz, isso porque a maior urgência do dia é comer. Dessa forma, a história mostra que a preferência dos estudantes é começar a trabalhar mais cedo, em qualquer coisa, por qualquer quantia, para sustentar a casa. Esse cenário ainda existe em altos índices nos dias de hoje, como é o caso de Antônia e, diante disso, o governo da direita parece ser de abandono e destruição da escola pública.
Os ataques à escola pública através dos cortes, da extinção de programas estudantis, da criminalização dos estudantes e do ataque aos direitos dos profissionais da educação mostra que o objetivo de Bolsonaro é destruir a escola pública para repassar os investimentos para os grandes empresários capitalistas. Dessa forma, ele obriga os pais a cada vez mais terem que pagar por educação de qualidade, o que seria de direito ser fornecida gratuitamente à população. Isso está acontecendo durante a pandemia. Os governos estão se isentando da responsabilidade do dever de educar e tirar as funções da escola é uma forma de fazer isso.
De acordo com os dados, em três estados, as escolas estão sem comunicação alguma com os estudantes. No restante os governos improvisaram alguma forma de ensino à distância para fingir que cumprem o calendário escolar. Em todas elas a comunicação entre professor e aluno está comprometida, pois não há possibilidade de diálogo entre eles, um princípio histórico da educação e pétreo do ato de educar. Isto é: não há comunicação, nem educação.
O governo golpista de Bolsonaro vem tentando implementar o ensino à distância como projeto há tempos. Isto porque ele livra o Estado do investimento público e ao mesmo tempo consegue enriquecer ainda mais as empresas de internet, de produção de material didático e etc. Um verdadeiro nicho dos capitalistas. E quem não consegue pagar pelos serviços tem que ser tratado como animal numa escola pública sucateada, ou ficará pelo caminho. É possível perceber que a destruição da educação pública é um projeto para os ricos.
Bolsonaro vem investindo no acesso de serviços públicos pela internet, querendo passar a imagem de democratização do acesso à população. Na verdade isso é uma grande fraude. O objetivo aí seria financiar empresas quem vendem internet, e que financiaram sua campanha golpista e fraudulenta nas eleições. Tudo que queira dizer que Bolsonaro governa para o povo é pura demagogia.
Tudo isso se prova porque é justamente a população pobre do país que não tem acesso à internet. Segundo dados, somente 79% da população brasileira teve um dia na vida algum acesso à internet.
Vendo os resultados disso para a educação pública, – onde os alunos precisam durante o isolamento ter acesso à internet para pelo menos receber um exercício para casa sem direito à correção -, temos que somente 57% dos alunos têm capacidade de acessar a internet, e grande parte deles através de dados móveis. Esta última informação denuncia também a falta do computadores em casa, instrumento adequando para os estudos pela internet. Os governos da direita sabem de tudo isso, e é isso que guia sua política.
Em outro momento, quando pensamos que terminou, é preciso denunciar a situação a que estão sendo jogados os estudantes que prestarão vestibular para o ENEM. Abraham Weintraub, que se diz ministro da educação, decidiu que as provas do vestibular permanecerão nas datas previstas anteriormente, como se nada estivesse acontecendo. Esse fato escancara de vez as intenções do governo Bolsonaro para os filhos da classe trabalhadora. Dos 48,9 milhões de estudantes do ensino básico que temos no Brasil, 39,7 milhões deles são de escolas públicas.
A denúncia: aqueles que podem pagar instituições escolares privadas e cursinhos que continuam as aulas online prestarão vestibular a todo vapor, enquanto os que não podem, dependentes de sistemas precários e atingidos pela pandemia, terão que concorrer da mesma forma, aumentando ainda mais a desvantagem. Também é política da direita afastar o povo pobre, ou seja, os filhos dos trabalhadores do ensino superior.
É preciso, urgentemente, derrubar o governo Bolsonaro para cessar os ataques contra a população.





