Na madrugada deste domingo (21) no centro da cidade alemã de Stuttgart , capital do estado de Baden-Württemberg , um grupo de 500 pessoas, composto por jovens que estavam em uma praça, desatou uma onda de saques e ataques aos veículos das forças policiais.
O estopiam para a insurreição do grupo de jovens foi uma revista policial de um jovem de 17 anos que estava na praça Schlossplatz. A polícia estava a procura de drogas e diz que os jovens se reunem nessa praça para utilizar drogas e festejar. No momento da revista, outros jovens se solidarizavam com aquele que estava sendo revistado e passaram a atacar os policiais com pedras e garrafas. Em instantes, o grupo cresceu e tomou o número de 500, que se espalharam pelo centro da cidade, quebrando vitrines de 40 lojas e saqueando 9 delas. Os jovens foram aplaudidos pelas pessoas que passavam nas ruas quando danificaram 12 viaturas da polícia com golpes de barra de ferro. Algumas tiveram a parte interior destruídas completamente.
A ação de protesto dos jovens durou várias horas e exigiu a mobilização de 280 agentes da polícia. 24 participantes foram presos e estão em interrogatório. Contra setes deles foi expedido mandado de prisão.
O governador do Estado de Baden-Württemberg, Winfried Kretschmann, do direitista Partido Verde (GRUNE), afirmou que condena os atos de violência cometidos pelos jovens e disse que estes serão investigados e punidos consequentemente. O comissário de polícia da cidade de Stuttgart, Franz Lutz, apontou que não descarta motivações políticas como pano de fundo do episódio.
Políticos do Partido Social-Democrata (SPD) na Câmara Estadual descreveram a situação como “semelhante a uma guerra civil.”
A insurreição da população contra o capitalismo em decomposição é uma constante no mundo inteiro. Os Estados Unidos são o caso mais recente de uma insurreição popular contra as instituições do Estado capitalista, que resultou em enfrentamentos com a polícia, destruição de delegacias, saques. Via de regra, a juventude está na linha de frente dos protestos, pois são o setor mais explorado e espoliado da população e oprimido pelos governos de direita. O desemprego e a absoluta falta de perspectivas de vida afetam, em especial, a juventude.
A pandemia do Covid-19 aprofundou a crise do sistema capitalista em nível global. Até mesmo nos países imperialistas, a situação se mostra como extremamente explosiva. A ação dos jovens em Stuttgart, na madrugada deste domingo, é uma expressão legítima do ódio contra o sistema. É sintomático que os protestos tenham se iniciado a partir da ação da polícia, tanto em Stuttgart quanto em Mineápolis.
O adjetivo de “vândalo” é um artifício da direita para tentar descaracterizar a motivação política dos ato. Protestar com o uso da violência não é um ato de vândalo, mas sim expressão da revolta popular com as condições de vida e a opressão política. Os jovens de Stuttgart servem como um exemplo para o Brasil.





