A Guatemala é o país latino-americano com a maior taxa de desnutrição infantil, sofrendo uma grave crise alimentar, à qual também vemos somar agora, os efeitos do Covid-19 à falta de emprego e recursos devidos às famílias. A situação é agravada para a população mais vulnerável devido à resposta tardia do governo em relação à ajuda prometida em abril e ainda não realizada.
A ajuda foi prometida às famílias de baixa renda, que até sexta-feira só receberam módulos com míseros 36 kg de alimentos, e que se espera, sinicamente, seja de alguma valia para 1.182.297 guatemaltecos. O Exército da Guatemala foi encarregado de sua entrega.
Dias atrás, o vice-presidente César Guillermo Castillo anunciou que a partir do dia 18 de maio, ontem, a ajuda começaria a ser entregue a menores em apenas dez dos 22 departamentos do país. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação, 13.000 crianças com desnutrição aguda são registradas.
Com a pandemia, estima-se, em um cenário mais benigno, que, ao final do ano, haveria 798 mortes de bebês e 58 de mães. Em um segundo cenário, haveria 1.411 mortes entre menores e 108 entre mães. No contexto mais sério, 3.782 crianças e 309 mulheres morreriam.
Tendo tomado posse em janeiro deste ano, o atual presidente, o conservador Alejandro Giammattei, partido VAMOS, é tido como herdeiro da política de Jimmy Morales, um dos presidentes com menor índice de popularidade do continente. Com um discurso conservador no social e liberal no econômico, seu programa está focado na segurança e na recuperação econômica, e não poderia ser mais clichê de direita do que isso.
Giammattei foi eleito com o maior índice de abstencionismo já visto no país. Com uma participação de 42%, o novo presidente foi eleito com menos de dois milhões de votos em um registro eleitoral de mais de oito. Ele assume em um contexto de cansaço e irritação em relação à política de entrega das riquezas ao imperialismo e de sacrifício da classe trabalhadora, que colocou o país na mais absoluta miséria, com o empobrecimento do povo, e aumento do desemprego. Além disso, ele contou com o golpe da justiça eleitoral e da direita, que deixou de fora alguns dos candidatos mais populares.
A Economia da Guatemala baseia-se predominantemente na agricultura. Um quarto do Produto interno bruto (PIB), dois terços das exportações e metade da força de trabalho do país concentram-se no campo. O país é o mais populoso da América Central, e seu PIB per capita é de cerca de um terço do da Argentina, Brasil e Chile. Café, açúcar e bananas são os principais produtos exportados, principalmente para países próximos como El Salvador, Honduras e México. A pouca indústria que tem atua no setor de alimentos. É conhecida na história a Guerra das Bananas, como ficou conhecida a invasão norte-americana da região, introduzindo, inclusive, a multinacional United Fruit que se destacou na produção e no comércio de frutas tropicais (especialmente bananas e abacaxis), para explorar a agricultura local e financiar uma política que os beneficiassem, os EUA, constantemente interferindo e controlando o processo eleitoral local.
Mas a falta de trabalho e de condições para viver acabou se tornando um imperativo que motivou muitas famílias, não só da Guatemala, mas também dos vizinhos Honduras e El Salvador, a migrarem para o México em uma grande caravana com algo em torno de 10 mil pessoas, com o objetivo de alcançarem os EUA.
Em confrontos nas fronteiras, muitos gritavam: “Os imigrantes não são criminosos; somos trabalhadores internacionais!”.
Esses países mais atrasados pela pouca industrialização, são, de fato, muito mais explorados pelo imperialismo, que os deixam em uma situação de grande precariedade, até o ponto em que a vida fica impossibilitada e o povo já não mais suporta viver assim.
Uma interferência tão perniciosa como a do imperialismo só será sobrepujada por uma séria mobilização conjunta da classe trabalhadora entre os vários países explorados na América Central, quiçá todo o continente, para que se consiga afastar de vez seu controle da região, e impor um programa de governo afeito às necessidades prementes de promoção das condições de existência digna, e que permita uma distribuição de renda e riqueza equânime, capaz de elevar a vida da classe trabalhadora a uma patamar de melhoria tecnológica e de abundância.





