Na semana que vem, John Bolton, ex-assessor de Segurança da Casa Branca, lançará um livro compartilhando com o mundo suas lembranças acerca de seu período trabalhando com Donald Trump. Na obra, Bolton cita várias situações nas quais Trump age com extremo autoritarismo, imprudência, infantilidade e, acima de tudo, como aplica sua política imperialista por detrás dos panos.
Vale citar alguns acontecimentos contidos dentro deste livro, que denuncia fortemente ações de Donald Trump frente às relações com líderes de todo o mundo. Em especial, chama a atenção um episódio que ocorreu durante um jantar no Japão, em junho de 2019, no qual Trump pediu para que o presidente da China, Xi Jinping, o auxiliasse a ganhar as eleições presidenciais de 2020. Segundo Bolton, Trump solicitou que a China comprasse soja e trigo dos Estados Unidos, para que Donald ganhasse popularidade entre os eleitores das zonas rurais do país.
Além disso, convém citarmos uma passagem que demonstra perfeitamente a postura de Donald Trump sobre qualquer outro país atrasado: de acordo com Bolton, Trump afirmou que invadir a Venezuela seria bacana e que o país era, de fato, parte dos Estados Unidos. Diante de tal acontecimento, o embaixador que representa a Venezuela perante a ONU, Samuel Moncada, prontamente se manifestou e afirmou que a frase de Trump demonstra “o caráter genocida do plano de anexação contra a Venezuela”.
Baixo clero do imperialismo
As declarações de Bolton também colocam a tona outro aspecto da política do presidente genocida dos Estados Unidos. Em várias ocasiões, Trump, sem hesitar, colocou-se completamente à serviço dos interesses de outros líderes mundiais, se colocando em uma posição de “rapaz” ingênuo facilmente manipulável. Exemplo disso é que, segundo Bolton, Trump mudou sua opinião acerca do regime de Maduro na Venezuela em uma questão de minutos após conversar com o presidente da Rússia Vladimir Putin. Aparentemente, Putin comparou Guaidó à rival de Trump nas eleições de 2016, Hillary Clinton. Em seguida, Trump retirou seu apoio ao pseudo-presidente da Venezuela, mesmo tendo declarado assentimento à política de Guaidó somente 30 horas antes.
Esse exemplo só mostra como Trump, na realidade, não faz parte do alto escalão do imperialismo. É, acima de tudo, uma criança mimada suscetível à manipulação por parte de elementos mais afluentes do imperialismo. Postura essa que vem sendo comprovada cada vez mais, principalmente quando analisamos sua política para lidar com a questão da China – pedindo-lhe apoio – e a questão da Venezuela. Nesse sentido, simplesmente não pode ser confiado inteiramente pelo aparato imperialista.
Censura
Como já era de se esperar, assim que foi anunciada a publicação do livro de Bolton, a Casa Branca entrou com um processo para que seu lançamento nunca seja, de fato, efetivado. É nítido que isso é apenas mais uma manobra do imperialismo para tentar esconder o funcionamento interno de sua política. Manobra essa que, inclusive, traz à lembrança os famosos casos de Edward Snowden, Chelsea Manning e Julian Assange, perseguidos pelo governo dos Estados Unidos por terem divulgado informações internas que, supostamente, afetariam a segurança nacional dos EUA.
No fim, a população dos Estados Unidos e, além disso, a população mundial, têm todo o direito de saber como seus algozes agem por debaixo da mesa. Trump se mostra cada vez mais estúpido, desinformado e imprudente. Todavia, não podemos abaixar as nossas guardas para o sistema que ele represente. Finalmente, o imperialismo é a forma mais decadente do capitalismo e, nas últimas décadas, tem sido responsável por ceifar a vida de milhões de trabalhadores em troca de sua própria retroalimentação. Entretanto, relatos como o de Bolton nos mostram como o imperialismo sempre rui sobre as suas próprias contradições.




