Com centenas de empresas decretando férias coletivas, muitas falando diretamente em demissão em massa e estimativas apontando que o avanço da crise combinado com a pandemia de coronavírus podem levar a 5 milhões de novos desempregados no Brasil, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ameaçou com greve em empresas que não anunciaram suspensão das atividades diante da crise. O Sindicato denunciou que as montadoras Honda, Renault e Fiat Chrysler ainda não haviam adotado essa medida, apontada pelo próprio governos dos capitalistas, como sendo necessária para combater o avanço do COVID-19.
A direção do sindicato anunciou que se, na próxima semana, essas montadoras não suspenderem suas atividades (como já fizeram as outras montadoras), vai convocar greve a partir do dia 30, em todas as fábricas do setor no ABC, incluindo as fornecedoras.
Os patrões “não consideram a vida e saúde dos trabalhadores”
O presidente do Sindicato, Wagner Santana, o “Wagnão” (foto), “essas montadoras não pensam de maneira conjunta, trabalham na lógica única da concorrência. Pensam que se pararem e as outras continuarem produzindo, vão perder mercado. E não consideram a vida e a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras nem mesmo numa situação crítica como essa”.
O sindicato apontou também a responsabilidade do governo: “a definição de paralisação de atividades de um setor de abrangência nacional depende de orientação do governo. E nós estamos sem governo. Temos um presidente e um ministro da Economia irresponsáveis”.
O sindicato informou que as montadoras Volkswagem, Mercedes, Toyota, GM e Scania anunciaram suspensão das atividades e liberação remunerada dos trabalhadores entre os dias 23 e 30, mas “Wagnão”, explicou que tal “decisão não partiu espontaneamente dessas empresas… tivemos de pressionar”. Ele esclareceu também que o sindicato tenta antecipar a paralisação para a próxima segunda, dia 23.
Até ontem (dia 20), estavam acertadas as seguintes suspensão das atividades, no ABC: Volkswagen- dia 23/3; Mercedes – 23/3; Toyota -24/3; Scania – 30/3; GM – 30/3.
Petroleiros
Na maior empresa do País, a Petrobrás, a direção golpista, também ignora a pandemia do COVID-19, decretada pela Organização Mundial da Saúde COVID-19, no que diz respeito aos petroleiros que trabalham embarcados, segundo denuncia da Federação Única dos Petroleiros (FUP) que, junto com seus sindicatos filiados, apresentou uma pauta de reivindicações, na última quinta, dia 19.
Depois de ouvir relatos de trabalhadores sintomáticos em várias unidades e fazer consultas técnicas, a FUP reivindicou o fornecimento e uso obrigatório de máscaras e luvas, principalmente no trabalho de confinamento; aumento do trabalho à distância; a suspensão da produção ou redução do efetivo; o fim das aglomerações e a higienização constate dos locais de trabalho.
Mostrando total desprezo pela vida e saúde dos petroleiros, a empresa respondeu simplesmente que “os trabalhadores embarcados ficarão 28 dias em confinamento, com 14 dias de folga”.
Os sindicalistas petroleiros se revoltaram com a medida, de caráter escravocrata, em uma quadro de crise nacional, diante do qual a Petrobrás quer que os petroleiros abandonem pais idosos e filhos pequenos por 28 dias, em uma situação em que a pandemia tende a explodir, justamente nas próximas semanas. E reclamou, acertadamente, que essa atitude – por si só – afeta a saúde mental destes trabalhadores e viola o Acordo Coletivo e a Lei 5.811/72, considerando-a desumana.
Em nota da entidade, os petroleiros, que realizaram, no mês passado, a mais longa greve da história da categoria, afirmam que “a FUP e seus sindicatos rejeitam essa irresponsabilidade de pronto e tomará as medidas judiciais e políticas necessárias”e assinalaram “ESCRAVIDÃO NÃO É RESPOSTA À PESTE!”.




