O governo da França convocou, nesta quinta feira (14/05), o embaixador da Venezuela em Paris para acusar o governo do presidente Nicolás Maduro de assediar sua embaixada em Caracas, cortando o suprimento de água e eletricidade da residência do embaixador. Segundo os franceses, a residência está sem energia elétrica e água desde 3 de maio.
Há vários anos a Venezuela vem sofrendo muito mais que assedio por parte da França e seus aliados imperialistas. Nos últimos dias as forças armadas venezuelanas, com ajuda de seu povo, prenderam dezenas de mercenários que, segundo Caracas, tinham a missão de sequestrar ou assassinar o presidente Maduro. Esta não é a primeira vez que os golpistas, liderados por Juan Guidó (que conta com o apoio da França) atentam contra a vida do representante legítimo do povo venezuelano. Lembremos que em agosto de 2018, houve uma tentativa fracassada de assassinar Maduro utilizando um drone.
Durante o delicado momento por que passa o mundo com a pandemia de coronavírus, o governo imperialista dos Estados Unidos deslocou suas forças militares para o Caribe, numa tentativa de isolar o governo bolivariano. Até mesmo medicamentos comprados da China e Rússia tem sido impedido de entrar no país. Em 2016 o governo Trump impediu, por exemplo, a importação de 300 mil doses de insulina, ante a recusa do banco norte-americano Citibank em receber fundos enviados pela Venezuela para pagar pelo carregamento. Em outro ataque covarde do imperialismo, o governo britânico recusou-se em repatriar US$ 14 bilhões em reservas de ouro pertencentes a Venezuela, atualmente depositadas no Banco da Inglaterra.
O embargo imposto pelos Estados Unidos, França e os demais países imperialistas, sob a fantasiosa alegação de desrespeito aos direitos humanos, ignora o princípio de autodeterminação dos povos e provoca o sofrimento, fome e morte a toda uma população. A França, e seus aliados, nunca se pronunciaram contra as ditaduras militares que mataram e torturam em toda a América Latina, nada dizem contra a atual ditadura da Arabia Saudita, não se importam com a fome e a pobreza da Africa, pelo contrário, apoiam tudo isso.
Não custa lembrar que durante um século a França, hoje empenhada em levar a “democracia” à Venezuela, ocupou, explorou o Vietnã e de lá só saiu quando o povo daquele país pegou em armas para expulsá-los na década de 1950. O sofrimento do povo vietnamita duraria mais duas décadas, pois com a saída dos franceses vieram os Estados Unidos. O conflito terminou com a vitória do Vietnã em 1973, ao preço de mais de um milhão de vidas.
O governo francês fala em assédio mas que termo podemos atribuir à França, quando seu presidente, Emmanuel Macron, reconheceu a legitimidade do auto declarado presidente, Juan Guidó, que nunca concorreu a uma eleição para presidente na Venezuela? Para o povo venezuelano, que vive sob a ameça de invasão, sob embargo e privado de exercer sua própria democracia, falta muito mais que água e luz, falta respeito e paz.




