Segundo reportagem da Rádio França Internacional (RFI) publicada em 24/04, o Congresso americano aprovou na noite desta quinta-feira (23/04) o novo plano de ajuda para lutar contra o impacto da epidemia que já deixou quase 50.000 mortos no país. O pacote de US$ 483 bilhões se soma ao colossal plano de US$ 2,2 trilhões aprovado no final de março.
Essa nova injeção maciça de dinheiro para apoiar uma economia americana em colapso foi negociada durante uma semana entre democratas, republicanos e a Casa Branca. Do total de US$ 483 bilhões, US$ 320 bilhões serão destinados a empréstimos a pequenas e médias empresas, alegando que isso poderia desencorajar as demissões. Em cinco semanas de crise sanitária, mais de 26 milhões de trabalhadores perderam o emprego nos Estados Unidos.
O primeiro plano de ajuda de US$ 2,2 trilhões foi muito criticado pelo fato de beneficiar as grandes empresas.
O pacote também prevê ajuda ao setor sanitário que luta contra a epidemia do coronavírus. Mais de US$ 75 bilhões serão destinados a hospitais e US$ 25 bilhões para reforçar a realização de testes de coronavírus.
Podemos perceber aqui uma lista de prioridades que orienta as ações do governo de Donald Trump nesta crise: quem mais deve receber ajuda são os grandes capitalistas e bancos e depois as médias e pequenas empresas. Em terceiro lugar são os hospitais e por fim uma verba para testes. O valor destinado aos capitalistas é altíssimo se comparado com o destinado à saúde. Percentualmente, fica em torno de 4% da ajuda total (US$ 2,683 trilhões), mostrando o quanto importa para o governo Trump salvar a vida do povo americano.
Como se isso não bastasse, esse presente de US$ 483 bilhões não contempla ajuda alguma para os trabalhadores desempregados e todos aqueles que estão sem renda neste momento. O argumento de que empréstimos feitos para as empresas as desencorajariam a demitir tem se mostrado uma mentira no mundo todo. O que os capitalistas fazem é embolsar o dinheiro e demitem uma parte dos funcionários e mantém o resto, muitas vezes com os salários reduzidos. E no médio e longo prazo, essa redução da massa salarial faz com que a demanda diminua, gerando mais recessão e mais pressão para desempregar.
Esse valor todo que foi de fato doado para o conjunto da classe capitalista seria muito mais bem aplicado se fosse dividido e depositado na conta de cada trabalhador. Isso porque cada dólar na mão de quem está acostumado a viver do próprio trabalho é totalmente consumido, o que não ocorre com quem vive da exploração do trabalho alheio e tem uma propensão ao consumo muito menor, por ter uma renda muito maior. Isso já se sabe desde a crise de 1929, mas o objetivo real de Trump e de todos os governos da burguesia pelo mundo é salvar o lucro dos capitalistas o mais rápido possível, antes que seus negócios entrem em falência generalizada, fazendo todo o sistema capitalista desmoronar.
O que é preciso é ajuda direta para os trabalhadores, um percentual muito maior para a saúde pública e obras de saneamento e nenhum centavo para as empresas. Se a empresa falir, que seja estatizada.
Fala-se demais em “salvar vidas”. Está na hora de fazer isso.




