Em entrevista dada neste domingo, 17 de maio, à rede de televisão norte-americana CBN, o diretor do Fed (o banco central americano) Jerome Powell destacou que o PIB americano pode “facilmente” retrair entre 20% a 30% no segundo trimestre deste ano. Na maior economia capitalista do mundo, isso significa algo entre US$4,28 trilhões a US$6,42 trilhões que “facilmente” podem ter se perdido.
Na mais conservadora estimativa de Powell, a economia dos EUA perderiam, portanto, um montante superior ao quarto maior PIB do mundo (Alemanha, com US$3,86 trilhões), enquanto na maior (mas ainda dentro da classificação de “facilmente”), a perda seria 24% maior do que o PIB do Japão, a terceira maior economia do planeta.
Ainda nos números que permitem uma perspectiva mais concreta da magnitude da crise capitalista, 25% de desemprego seriam esperados pelo governo, o patamar mais elevado desde o auge da Grande Depressão de 29, em 1933. Segundo o diretor do Fed, o balanço do trimestre será “muito, muito ruim. Haverá um grande declínio da atividade econômica, com grande aumento do desemprego”. Esperançoso, Powell disse acreditar que “há chance de um resultado positivo no terceiro trimestre”, acrescentando, porém, que isto depende de não ocorrer uma segunda onda de contágios pelo coronavírus, o que obviamente, equivale mais a uma oração do que qualquer coisa minimamente séria.
Com previsão inicial de US$2,3 trilhões a serem gastos para enfrentar a pandemia e seus efeitos sobre a economia, o Congresso dos Estados Unidos já aprovou quase US$3 trilhões ao governo para impedir uma quebra generalizada da principal nação imperialista do mundo, o que não impediu 36 milhões de trabalhadores perdessem seus empregos e tivessem de recorrer ao assistêncialismo para sobreviver a este momento duro para a classe trabalhadora americana. Aqui, é importante destacar que mesmo esta medida para apurar o desemprego é conservadora.
A imprensa dos EUA estima em 14 milhões o número de trabalhadores que não conseguiram se inscrever no programa de auxílio aos desempregados por não dispor de meios para tal. Somados aos 36 milhões de inscrições contabilizadas desde a última quinta-feira (14), o desemprego real pode estar atingindo mais de 30% da força de trabalho norte-americana, um recorde em mais de 100 anos que supera o auge da Grande Depressão.
Tido como vilão da profunda crise em que o país mergulhou, o coronavírus não produziu a catástrofe econômica, simplesmente potencializou a devastação, cuja base real é a fragilidade do sistema econômico. O capitalismo, além de não ter se recuperado da crise de 2008, viu os fundamentos econômicos da crise de então (a saber, o endividamento massivo e sem lastro) piorar.
Emblemático sobre o distracionismo criado pela equipe econômica do governo Trump em torno do modelo de isolamento social a ser adotado, a Suécia anunciou na semana passada a projeção para o PIB do país escandinavo neste ano, com perspectiva de retração na ordem de espantosos -10%. Tido como o modelo “economicamente” responsável pela extrema-direita em todo o mundo para lidar impedir o avanço da pandemia, justamente por não ter paralisado as atividades econômicas, a Suécia teve um desempenho consideravelmente pior do que a média europeia, cuja estimativa até o momento é de redução média nos PIBs de seus países de 7,5%.
Fica claro, portanto, que o problema do mundo não é o coronavírus mas o capitalismo, que em uma etapa de profunda decomposição, se torna um fator desestabilizador, pelo caos econômico e a mortandade absurda, da qual nem mesmo seu mais importante pilar escapa.




