Carlos Decotelli foi anunciado como terceiro ministro da Educação pelo Diário Oficial da União, mas ele nem chegou a ser nomeado, e saiu antes mesmo de tomar posse. Ainda assim, rapidamente atualizou seu currículo do Centro Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnologia (CNPq), incluindo que foi ministro da Educação entre os dias 25 e 30 de junho do ano de 2020. Esse é o nível dos comandantes principais da política brasileira escolhidos com Bolsonaro no poder.
A realidade é que Decotelli nunca chegou a ocupar o cargo. Em primeiro lugar, ninguém consegue exercer a função de ministro em 5 dias, em segundo, o artigo 7° da lei 8112, que dita as regras do serviço público, diz que a investidura de um servidor em um cargo só ocorre após a posse. Assim, fica escancarado o caráter oportunista do ex-ministro, que já apresentou diversas falcatruas em seu currículo.
Vale relembrar que ele informou que ele mentiu sobre ter feito doutorado em uma universidade da Argentina, e pós-doutorado em uma na Alemanha. Além disso foi denunciado pela Fundação Getúlio Vargas de ter plagiado seu mestrado, e que nunca chegou a ser professor efetivo de lá como enuncia. Após as polêmicas, usadas como argumento para tirá-lo do cargo, ele até chegou a mudar seu currículo Lattes. O pior é que não é nem o primeiro, nem o último candidato da direita a mentir sobre seus méritos. É engraçado perceber que enquanto os bolsonaristas atacam a comunidade universitária de baderneira e inútil, eles correm para conseguir um currículo acadêmico.
A graça em ver o circo pegar fogo, com as diversas trocas ministeriais, e finalmente com a crise política entre a direita e a extrema direita, não é nenhuma vitória ou alívio para a esquerda. Dada a situação, torna-se mais evidente o que o PCO já levanta desde o começo do governo golpista. Com Bolsonaro no poder, nenhum setor do poder executivo vai ser comandado por alguém “civilizado”, ou ainda, por alguém que tenha qualquer interesse em solucionar a crise e avançar com as medidas de desenvolvimento nacional. Além disso, junto com ele está a direita tradicional, que também não levará adiante nenhuma pauta popular para o congresso ou para o parlamento.
Sem a derrubada de Bolsonaro e de todos os golpistas, a educação sempre servirá o programa imperialista de desmonte do ensino público. Assim como, só poderá ser comandada por personalidades de tal categoria. Por isso os estudantes necessitam de clareza para se mobilizar contra o programa fascista para a educação. É inútil fazer como a UNE e a UBES, e pedir a queda de um ou outro ministro pelas redes. Logo de cara, entram outros com as mesmas propostas, ou ainda piores para os estudantes da sua base. A mobilização precisa ser massiva e ser nas ruas, e exigir nada a menos do que o “Fora Bolsonaro e Todos os Golpistas”.





