Destroçada pelo neoliberalismo, a Argentina se vê numa situação muito bem definida pelo dito popular que diz “no mato sem cachorro”, dada a magnitude da desagregação econômica e social do país, que deverá entrar em moratória, não por uma política revolucionária mas por absoluta incapacidade de continuar pagando sua dívida externa.
Em editorial publicado nesta segunda-feira, 27 de abril, o Globo, órgão dos setores mais imperialistas da burguesia, destaca uma frase da diretora do FMI, Kristalina Georgieva: “da mesma maneira que o vírus afeta as pessoas com comorbidades, as mais vulneráveis, golpeia mais duramente as economias com dificuldades preexistentes.” A fala da burocrata, dirigente de uma das principais organizações do imperialismo no mundo, é especialmente importante para destacarmos o saldo de 4 anos de neoliberalismo sob o comando de Mauricio Macri.
Parece pouco tempo mas em 4 anos a política de devastação econômica, imposta pelo imperialismo à segunda nação mais desenvolvida da América do Sul, encolheu a economia argentina em quase 25%, de US$594,7 bilhões para US$450 bilhões. No mesmo período, o imposto inflacionário, longe de acompanhar a profunda deterioração do PIB, explodiu. Como é usual nos países atrasados, as estatísticas econômicas passam por muitos tipos de manipulação que tornam necessário muito senso crítico ao lidar com elas. Ainda assim, o índice IPC, divulgado pelo Instituto Nacional de Estadística y Censos, aponta que o acumulado da inflação no governo Macri foi de 327,15%, no mínimo. Isto significa que, para simplesmente manter o ritmo econômico e sem produzir uma brutal expropriação da classe trabalhadora argentina pelo expediente inflacionário, o PIB argentino, ao final do massacre neoliberal, deveria ser de US$2,5 trilhões, 35% maior do que o PIB da nação mais rica da América Latina e uma das mais ricas do mundo, o Brasil.
Com perspectiva de uma retração econômica da ordem de -5,7% nas estimativas mais otimistas, desemprego subindo para 10,9% da força de trabalho e pobreza atingindo mais de 35% da população, a Argentina se encontra em uma encruzilhada que só pode ser solucionada pelo levante da população contra seus verdadeiros algozes: a burguesia nacional e imperialista.




