"Quem não jogar, demita-se"

Cartolas querem colocar jogadores em risco para garantir lucros

Seguindo a política dos demais capitalistas, empresários do futebol querem o retorno dos ogos no pico da pandemia

A pressão dos setores capitalistas para acabar com a política limitada de isolamento social atinge também o campo de futebol. Nesta semana, dirigentes de clube e federações estaduais se pronunciaram defendendo o retorno das atividades nos gramados do país. Exemplo desta fato foi o dirigente do Internacional, clube gaúcho, Marcelo Medeiro,s que declarou em uma entrevista ser favorável ao retorno das atividades dos jogadores e demais funcionários do clube.

Assim como Medeiros, Romildo Bolzan Júnior, dirigente do Grêmio também defende a volta dos trabalhos pelos clubes. Ambos se apoiam em decretos dos governo estadual do Rio Grande do Sul e da prefeitura de Porto Alegre, os quais determinam a chamada “flexibilização” de determinadas atividades, dentre elas o futebol.

Questionado sobre o que ocorreria caso um jogador se recusasse a voltar ao trabalho, alegando, corretamente, a falta de qualquer condição de prevenção diante do avanço da pandemia no país, Medeiro colocou em prática a sua face patronal e disse: “jogador que não quiser jogar pede demissão”. Uma verdadeira chantagem, típica dos empresários, de todos os capitalistas, os quais preferem colocar em risco a vida dos trabalhadores em nome de salvarem seus lucros.

Seguindo a mesma política, a Federação Estadual do Rio de Janeiro, a FERJ, responsável pela direção do futebol no estado divulgou uma nota onde defende “relativizar as determinações constantes na RDP nº 17/ 2020 especificamente em relação às atividades do futebol da Série A de Profissionais”.

A Federação determinou que os clubes estão liberados para decidirem sobre o retorno das atividades, o que na prática dá carta branca para os empresários e cartolas imporem o retorno aos trabalhos para os atletas e funcionários, utilizando da política de chantagem expressada pelo dirigente do Inter: “quem não quiser jogar, pode pedir demissão”.

Trata-se da política ditatorial e escravocrata dos capitalista contra os trabalhadores, que se expressa no futebol, mas acontece em todas áreas. Diante da crise, a burguesia coloca em primeiro lugar os sues ganhos. É preciso destacar também que no caso do futebol, um dos impulsionadores da volta aos jogos é a imprensa, em especial a Rede Globo, a qual detém o monopólio das transmissões dos jogos

Vale ressaltar que a pandemia encontra-se no pico no país, e tende a se agravar ainda mais devido à falta de qualquer tipo de política por parte dos governos. No caso do Rio de Janeiro, o estado enfrenta uma verdadeira calamidade na saúde, são 11.721 casos confirmados, até o último dia 4 de maio e 1065 mortes. Uma taxa de letalidade de 6,9%.

É necessário denunciar a política ditatorial e criminosa dos cartolas contra os jogadores e funcionários. Mobilizar estes setores, juntamente com as torcidas organizadas dos clubes para impedir que os capitalistas vampiros do futebol imponham a política de massacre e genocídio contra os jogadores e os demais trabalhadores.

 

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