Nas últimas semanas, o cenário piorou sensivelmente na América Latina e no Caribe, com a epidemia muito ativa. A região superou, ontem, 121 mil óbitos. Além do Brasil, com mais de 60 mil mortes, preocupa a situação no Peru, onde os casos da covid-19 explodiram, em meio a medidas de flexibilização do confinamento.
O Peru, que há dois dias superou o número de 10 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus, além de estar à beira do colapso do sistema sanitário, é também a segunda nação na América Latina em número de casos. Muito embora tudo isso, o governo suspendeu a quarentena na quarta-feira em 18 dos 25 departamentos do país, incluindo Lima.
O Estado da Flórida, que registrou, na quinta-feira, o maior número diário de infecção chegando a 10 mil casos, já beira o colapso do sistema de saúde, ainda mais agravado pelo fato de caminhar para a flexibilização do isolamento social.
O balanço da AFP dá o tom dramático da situação que, até ontem, apurou mais de 521 mil óbitos e perto de 11 milhões de contágios pelo novo coronavírus em todo o mundo. Os Estados Unidos é o país mais afetado do planeta, registrando mais de 128 mil óbitos, já se tornando também, o maior número de diagnósticos diários, com 53 mil novas infecções, o que traz um alerta especialmente pela proximidade da comemoração do dia da independência no 4 de julho, pela possibilidade de aglomeração na festividade.
Na Europa, onde a propagação do vírus parece controlada, os governos se apressam a anunciar as medidas de flexibilização para tentar salvar a temporada de verão, crucial para muitos países. A partir de 10 de julho, os viajantes procedentes de quase 50 países estarão isentos da quarentena de 14 dias imposta pelo governo do Reino Unido — o Brasil não está na lista.
Michael Ryan, chefe de emergências da saúde da OMS, preocupado com o México, mas também com a repercussão em todo o mundo disse que: “É hora de os países olharem para os números. Por favor, não ignorem o que os números dizem”. E continuou: “As pessoas devem acordar. Os números não mentem e a situação no terreno não mente”.
Representando a OMS, e a partir da análise da situação do México, a América Latina, e o Caribe, Ryan fez um apelo aos governantes de todo o mundo para que “acordem e lutem” contra o coronavírus. Ele enfatizou que os números mostraram a superação dessa região em relação à Europa, em número de casos da covid-19. São mais de 2.735.107 milhões diagnósticos oficialmente contabilizados, que ocupa o segundo lugar em registros, atrás dos Estados Unidos e Canadá (2.844.522). O continente europeu continua sendo o líder no ranking de mortes, com 198.310 vítimas, de acordo com levantamento da agência de notícias France-Presse (AFP).
Por fim, Ryan lembra que a OMS entende perfeitamente os motivos pelos quais os países buscam abrir suas economias, mas advertiu que o coronavírus é um problema que não pode ser ignorado. “Não desaparecerá como que por mágica”, insistiu.
Na realidade a OMS é um braço da ONU, e não faz mais do que cumprir com as determinações do imperialismo, e, ainda que esteja diante de um quadro dramático como esse, ela, no final das conta vai sempre apoiar a política que deixa de lado o bem estar e a saúde dos trabalhadores e a população, cujo risco grande de piora com contágio e morte pelo coronavírus é, e sempre vai ser, preterido à flexibilização e reabertura ao comércio e a economia, conforme mandam os interesses da burguesia.
A luta contra essa situação e uma agenda de trabalho onde o bem estar e a saúde do trabalhador venha em primeiro lugar é uma conquista que só uma contundente manifestação nas ruas pode dar. Garantia de emprego, isolamento social, e apoio do governo aos desempregados, só será possível com muita luta, principalmente no Brasil, onde a condição para isso depende de afirmar o “Fora Bolsonaro e todos os golpistas”.




