General Manini Ríos

Uruguai: a extrema-direita levanta a cabeça

Extrema-direita uruguaia também começa a fazer propaganda de uma ditadura para conter a crise política no país, que a própria direita acaba de criar abruptamente

A direita, provavelmente, será anunciada como vencedora das eleições realizadas no último dia 24 no Uruguai. Luis Lacalle Pou deve aparecer na contagem como vencedor diante do candidato da Frente Ampla, Daniel Martínez, por uma estreita margem da votação. Na coalizão que apoiou Lacalle Pou estavam elementos da extrema-direita, representada pelo partido Cabildo Abierto e pelos militares nazistas e fascistas, como é o caso do general Guido Manini Ríos. De modo que, com seus 10% de votos no primeiro turno, a extrema-direita entrará no governo através de Lacalle Pou, que seria um representante da direita tradicional do regime uruguaio.

Caso a direita perdesse as eleições mais uma vez (e talvez tenha perdido, mas fraudado votos o suficiente para aparecer como vencedora), a extrema-direita já alimentava uma retórica golpista, preparando os espíritos para uma derrubada do governo da Frente Ampla. Com a chegada ao governo por meio dessas eleições, ocorridas em meio a uma campanha golpista e à mobilização de elementos fascistas, a extrema-direita prepara-se para entrar no governo por meios aparentemente institucionais, o que por ora pode encobrir momentaneamente seu caráter golpista.

 

Golpe e ditadura

O golpe, no entanto, virá de dentro do próprio governo. O general Manini Ríos, que foi comandante do Exército até ser destituído pela Frente Ampla esse ano, depois de defender militares envolvidos nos crimes da ditadura, faz uma campanha abertamente fascista. Com um governo da direita golpista apoiado na extrema-direita, o deslocamento do regime em geral à direita será enorme.

Olhando-se a situação nos outros países do continente, a tendência é de que haja uma polarização também no Uruguai. Desde já o general Manini Ríos faz declarações ao estilo bolsonarista, dizendo, por exemplo, em seu chamado aos soldados para que votassem em Lacalle Pou no segundo turno, “a eles desta vez contestamos, nós os soldados, porque os conhecemos”. Uma declaração que poderia ser entendida como um simples chamado a votar, mas que deixa clara a intenção de levar adiante uma perseguição política contra “eles”, querendo dizer a esquerda e as organizações populares e operárias em geral. Ou seja, Manini Ríos deixa explícito que quer implantar uma nova ditadura.

 

Embate continental

Assim como na Bolívia, tudo parecia normal no Uruguai até a direita virar a situação de cabeça para baixo do dia para a noite. Essas duas mudanças abruptas mergulharam em um curto período os dois países na crise generalizada da América Latina. Nos dois casos, o imperialismo tratou de criar, abruptamente, uma crise política para derrubar governos de esquerda. O plano é o mesmo que se vê em todo o continente: atacar as condições de vida das amplas massas em favor de poucos capitalistas, e reprimir a população e os trabalhadores em caso de reação popular à direita golpista.

Esse é o mesmo embate que está colocado em todos os países da região no próximo período. De uma lado, a classe operária, de outro, a burguesia e o imperialismo. Conforme a classe operária desenvolve sua resistência às políticas neoliberais, a burguesia se desloca mais à direita, levando a uma polarização cada vez mais intensa. É nesse quadro que aparecem as ameaças de Bolsonaros e generais como Manini Ríos. Esse é o programa da direita golpista para a próxima etapa de luta política. A esquerda, de sua parte, deve se preparar e preparar os trabalhadores para o novo tipo de confronto que se avizinha.

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