Quem não tem “Lava Jato” caça com sanções econômicas: Trump penaliza Huawei para manter controle do mercado

A política de guerra econômica com a China está mostrando como o império americano está enfraquecido. Semana passada os Estados Unidos botaram a Huawei, a gigante chinesa de telecomunicações, na lista de boicote comercial. Essa manobra impossibilita a chinesa de comercializar com seus parceiros americanos como Google, Intel e Qualcomm. A intel e a Qaulcomm forneciam semicondutores para a fabricação dos aparelhos da Huawei, já a Google, não poderá mais disponibilizar seu sistema operacional, Android para os aparelhos da empresa chinesa. A intenção é de prejudicar o desenvolvimento da tecnologia 5g, cujos rumores apontam que Huawei estaria bem perto de desenvolver.

A gigante de Shenzhen (cidade onde Huawei é sediada), já estava se preparando para o boicote e andou dialogando com suas parceiras norte-americanas para burlar a sanção. A dificuldade é tamanha para o governo americano que tiveram que suspender parcialmente o boicote por 90 dias, como anunciado na segunda-feira (20).

Essa escaramuça é uma dentre várias outras na guerra comercial entre Estados Unidos e China, porém certamente umas das mais significativas. Se os ianques não conseguem medir forças com uma multinacional chinesa, quem dirá com o país inteiro.

No final do ano passado, a diretora e filha de Ren Zhengfei, fundador da empresa, Meng Wanzhou, foi presa no Canadá a mando de Trump, sob acusações de espionagem. Wanzhou pagou uma fiança de US$ 7,5 milhões e foi solta em fevereiro a contragosto dos americanos.

Zhengfei recentemente declarou que “haverá conflito”. Outras empresas chinesas também foram colocadas na lista de boicote comercial. As principais alegações de Trump são sobre o fato acusam a China de espionar o governo norte-americano através dessas empresas, um enorme cinismo vindo dos maiores infratores internacionais de privacidade e soberania de outros países.

Essa guerra comercial pode-se transformar em um guerra aberta. Como os americanos não conseguem cooptar o Estado chinês com tanta facilidade como fizeram no Brasil e demais países latino-americanos, através de propaganda e perseguição judicial aos políticos e às empresas brasileiras, usam sanções econômicas e tentam abarcar outros países nessa conflito.

A lava-jato no Brasil arrasou com o setor petrolífero e de construção civil a mando dos EUA. Enquanto a mídia empenhou uma campanha caluniosa e jogou os holofotes para os escândalos das principais empresas do ramo (Petrobras, OEA, Odebretch etc.), chegando inclusive a forjar certos escândalos, o judiciário perseguiu-as manipulando e inventando provas para acabar com os setores brasileiros que disputavam o mercado com seus semelhantes norte-americanos.

Com a China o jogo não está sendo tão fácil, e embora haja uma tentativa judicial que auxilie na briga comercial, as manobras não são nem de perto tão eficazes como foram no Brasil. Além do mais, o risco dos chineses intensificarem a agressividade nas respostas pode culminar o todo em uma guerra aberta.

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