Lideranças de 16 aldeias da Território Indígena do Xingu emitiram uma carta repudiando a escolha aleatória da representante da comitiva de Bolsonaro para a assembleia geral da ONU, no dia 23 de setembro. A comitiva elegeu arbitrariamente Ysani Kalapalo que não é liderança de nenhuma das aldeias indígenas da TI para representar todas as populações que lá vivem. Pelo que foi expresso, a pessoa escolhida além do já mencionado, apresenta o comportamento recorrente de desmoralizar e fazer campanha contra as lideranças já reconhecidas pelos povos do Xingu. Esse processo antidemocrático desrespeita a autonomia de reconhecimento de suas próprias lideranças, tanto em relação à política interna quanto externa à aldeia.
Os povos indígenas repudiaram veementemente a decisão arbitrária do grupelho de Bolsonaro. Ao afirmar que a escolhida ataca, desmoraliza e constrange as lideranças, confirmam que o atual desgoverno usa desses artifícios da democracia burguesa para legitimar seus discursos mentirosos perante a opinião pública internacional. Esse discurso, inclusive, que tentou carregar em vão a bandeira do nacionalismo, uma vez que ao vender o pré-sal e doar a base de Alcântara aos norte-americanos, escancara a demagogia deste governo. Além destas ações, a insistência na privatização das empresas estatais apontam na direção de uma subserviência completa ao imperialismo.
O desrespeito à soberania dos povos tradicionais é uma política que vem sendo desenhada desde a campanha de Bolsonaro quando este alegou que não demarcaria mais nenhuma terra indígena. Essa política política foi reafirmada em seu discurso em Nova Iorque na segunda-feira 23 de setembro. Nesse sentido, o direito de todos os povos indígenas vem sendo sistematicamente atacados. Com lideranças sendo assassinadas e perseguida de forma rotineira o governo quer dizer que lava as mãos diante dos latifundiários e garimpeiros que tem intenção de esvaziar as terras indígenas para explorá-las.
Defender um discurso nacionalista internacionalmente tem, então, uma dupla função. A primeira, de impedir qualquer intervenção internacional, que seria algo positivo, caso não passasse de um discurso. A segunda, como forma de esconder a perseguição interna de uma ditadura que já se sente cada vez mais na pele de quem não é capacho do regime golpista. No primeiro caso é uma política falsa, pois ainda que se pregue a não intervenção na maior parte do discurso, em diversos pontos os Estados Unidos são citados como um exemplo e o inquisidor Sérgio Moro recebe instruções diretamente dos EUA. Já no segundo caso, serve para encobrir a barbárie da base eleitoral que ajudou a eleger Bolsonaro.
É por isso que a hora de derrubar Bolsonaro é agora, visto que este ameaça cada vez mais a população e que esta se dispõe em todos os locais do país combater o regime golpista. Colocar em pauta a todo momento as críticas à Bolsonaro e seus discursos infames é uma forma de alimentar a população contra o regime. A orientação para a luta precisa partir de um partido revolucionário e neste momento a palavra de ordem Fora Bolsonaro está na boca do povo todo, desde os povos do Xingu até o Chuí.





