Imprensa golpista forma cerco ao Intercept para controlar divulgação de denúncias sobre a Lava Jato

Glenn Greenwald cometeu um perigoso erro político ao buscar um suposto apoio da imprensa burguesa na divulgação das conversas entre Moro e os procuradores da Lava Jato as quais o Intercept teve acesso.

Pode-se pensar que seria uma estratégia genial a adotada pela versão brasileira do sítio norte-americano, ao disseminar as informações para um amplo público de diferentes camadas sociais e posições políticas “moderadamente” de direita, ou mesmo para o público coxinha que, assim, finalmente, teria a ficha caída.

No entanto, esse pensamento é incorreto. Ao fazer parceria com os grandes monopólios de comunicação do País (Folha, Reinaldo Azevedo da BandNews e, possivelmente, até com a Veja), o Intercept e seu material explosivo têm o poder de fogo castrado em grande medida. Isso porque esses jornais da imprensa golpista são esmagadoramente maiores que o próprio Intercept, são tubarões que engolem os outros veículos mesmo quando, supostamente, fazem “parceria” com estes.

Essa força da imprensa capitalista se dá, principalmente, porque ela tem por trás de si nada menos do que a burguesia e o imperialismo e, portanto, atua conforme os seus interesses.

O Intercept não tem controle sobre as reportagens acerca dos materiais que ele mesmo teve acesso mas que são produzidas e difundidas nessa imprensa. A Folha de S. Paulo, por exemplo, publica essas reportagens de acordo com a orientação passada por seus diretores. É preciso lembrar que ela é um jornal de direita. Seu histórico vai do apoio prático à ditadura militar (fornecendo carros para a tortura) até o papel fundamental que desempenhou no impeachment de Dilma e na prisão de Lula. Destaca-se também que, com a morte de Otávio Frias Filho, assumiu a presidência do Grupo Folha Luiz Frias, um bolsonarista que impôs uma reformulação tácita na linha editorial do jornal, direitizando-o ainda mais. A Folha, hoje, é um jornal com fortes tendências de extrema-direita.

Nem é necessário explicar quem são Reinaldo Azevedo e a Revista Veja.

O interesse desses meios de comunicação na “parceria” com o Intercept tem, claro, algo de comercial (afinal, ganham dinheiro com a venda das reportagens para o público e os anunciantes). Também, serve para transmitirem a falsa impressão de imparcialidade e ganharem certo prestígio dos incautos. 

Porém, o principal interesse em obterem parte dos documentos do Intercept é justamente controlar o que será divulgado ou não. Afinal, uma vez na mão dos jornais da burguesia, são eles que escolhem o que será publicado e como será publicado.

Greenwald, ele próprio, já viveu uma pressão semelhante por parte da imprensa burguesa. O Guardian fez de tudo para impedir que ele publicasse as revelações obtidas através de vazamento de documentos da NSA por Edward Snowden, em 2013, que mostravam detalhes sobre a espionagem em massa feita pelos Estados Unidos. 

Se Greenwald quase não conseguiu publicar aquelas importantes revelações em um jornal considerado liberal, democrático e da ala esquerda da burguesia britânica, por que o material que tem em mãos seria inteiramente disponibilizado pela imprensa golpista brasileira, já que esse mesmo material colocaria em risco os próprios planos golpistas da burguesia – e, por consequência, de sua imprensa?

A imprensa capitalista tenta se apoderar das revelações e colocar o Intercept para escanteio, assegurando total controle da situação para a direita golpista.

Com essa “parceria”, a burguesia busca garantir que a multidão de arquivos comprometedores da Lava Jato e do golpe não seja revelada em sua totalidade, implementando uma censura a documentos que estão escancarando de vez a fraude que foi a prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro.

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