Na última segunda-feira (14), enquanto o tribunal supremo da Espanha condenava nove líderes políticos e ativistas catalães a até 13 anos de prisão por lutarem pela independência de sua região, outra ação, do juiz Pablo Llarena, emitia mandados de prisão internacional e europeu ao ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont.
O magistrado da Segunda Câmara do Supremo Tribunal de Justiça deu a nova ordem de prisão acusando o político de “crimes relacionados à insurreição e ao desvio de verba pública, concordando com sua busca e apreensão”, disse a Suprema Corte em comunicado.
Devido às condenações e aos mandados de prisão de Puigdemont, o povo catalão saiu às ruas para se manifestar de maneira contundente contra tamanhas arbitrariedades da justiça reacionária de Madri. Manifestantes independentistas lotaram três grandes ruas de Barcelona, além de cerca de mil pessoas terem tomado o aeroporto de El Prat. Cidades como Tarragona e Girona também tiveram bloqueios de estradas.
Houve uma forte repressão dos Mossos D’Esquadra (a polícia catalã que, como qualquer polícia, está contra as reivindicações populares e defende a ditadura espanhola). No aeroporto, um manifestante perdeu um olho e outro perdeu um testículo. No total, foram 131 manifestantes feridos pela repressão na segunda-feira.
Ontem, as manifestações continuaram. Houve concentrações nos principais departamentos governamentais, após marchas em colunas. Estiveram presentes nos protestos também familiares dos líderes presos, que enviaram cartas desde a prisão.
Se repetiram também os bloqueios de vias nas cidades de Tarragona e Girona, assim como em Reus. Dezenas de voos foram cancelados no aeroporto de Barcelona.
Prevê-se que os protestos continuem ao longo da semana. Os sindicatos Intersindical-CSC e Intersindical Alternativa da Catalunha anunciaram a ratificação da greve geral programada para a próxima sexta-feira “pelos direitos e liberdades”.
A mesa do Parlamento, presidida por Roger Torrent e que é de maioria independentista, pediu anistia aos presos políticos. O presidente da Generalitàt (o governo da Catalunha), Joaquim Torra, também pede anistia para os líderes do movimento.
A caçada do governo central espanhol contra os que lutam pela independência da Catalunha é muito antiga, mas se aprofundou nos últimos anos quando a região se transformou no centro da crise política do país, elevada a extremos graças à crise capitalista de 2008.
O referendo de 2017 foi o ápice dessa crise, quando a maioria dos catalães que votaram foi favorável à independência. O governo espanhol proibiu o referendo, enviou as forças policiais para reprimirem brutalmente a vontade democrática da população, censurou a imprensa e tentou impor uma ditadura militar intervencionista na Catalunha. Puigdemont declarou a República Catalã, mas, diante das pressões do imperialismo espanhol, acabou capitulando, não levou a independência às últimas consequências e se exilou na Bélgica.
Esses episódios demonstram como a Espanha é uma verdadeira ditadura, em particular contra os países que lhe são submetidos, com a Catalunha. São centenas de presos políticos por todo o Estado espanhol, que suprime cada vez mais os povos que controla, conforme se aprofunda a crise política do imperialismo espanhol e do imperialismo de conjunto.




