Escola com milico: direita quer que PMs substituam professores

O Congresso Nacional promulgou uma emenda constitucional que vai transformar as salas de aula das escolas públicas, em todo Brasil, em quartéis.

As escolas serão tomadas por policiais militares travestidos de professores.

Foi acrescentado um parágrafo ao artigo 42 da Constituição (sobre as forças militares dos Estados, Territórios e Distrito Federal), permitindo a dupla função sem impor qualquer limite ou regulamentação ao uso destes profissionais no ensino público.

Os militares, incluindo oficiais do exército, marinha, aeronáutica e dos corpos de bombeiros poderão acumular cargos e salários de professores nas escolas, com a única condição de que haja compatibilidade de horários.

Além dos militares serem poupados de qualquer alteração em suas aposentadorias, ainda vão poder tirar as vagas dos verdadeiros professores.

A proposta da emenda à Constituição foi apresentada em 2013 pelo ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que é coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal.

A desculpa do coronel para a estúpida proposta é a de que seria importante os militares passarem seus valores em sala de aula para as crianças e adolescentes em escolas públicas de todo o País.

Detalhe: em setembro de 2018, Fraga foi condenado em 1ª instância a 4 anos, 2 meses e 20 dias de prisão em regime semiaberto por cobrança de propina no setor de transportes, no valor de R$ 350 mil. Antes, em março do mesmo ano, fez afirmações caluniosas contra a vereadora Marielle Franco, logo depois do seu assassinato, no Rio de Janeiro. Ao ser questionado, disse não se arrepender.

Esses são os valores militares.

Mesmo assim, o coronel e ex-deputado foi convidado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a participar da sessão solene dessa quarta-feira, que promulgou a emenda constitucional de sua autoria.

Tão hipócrita quanto, o presidente do Senado também comemorou o fato de que, a partir de agora, os governos não precisarão mais gastar com a contratação de professores civis habilitados. “A medida é benéfica inclusive para a administração pública, que poderá realizar menos contratações para prestar mais serviços públicos. Será autorizado aos estados valer-se da mão de obra altamente qualificada dos militares em setores carentes como educação e saúde”, afirmou.

A mudança não apenas faz parte da campanha da direita para aumentar a repressão nas escolas, mas atende a vários outros aspectos. Entre eles, óbvio, uma maior degradação e extinção da profissão de professor, que terá suas funções genuínas substituídas por peças do mercado paralelo. Evidente também, o solene interesse em emburrecer as próximas gerações das camadas sociais que utilizam escolas públicas, adotando um programa não só de escola sem partido, mas escola sem noção, surdos, mudos, cegos e tontos. Sem capacidade de reflexão, de argumentação, de compreensão da realidade, sem consciência sequer humana, quanto mais política.

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