Em meio a nova guerra comercial, EUA ameaçam chineses ao enviar navios para o Mar do Sul da China

A tensão entre os EUA e a China se agrava. Desta vez, o imperialismo estadunidense resolveu deslocar dois destróieres (USS Preble e USS Chung-Hoon) em direção ao rival econômico. A demonstração de força se deu após os dois navios passarem a uma distância de 12 quilômetros dos recifes de Gaven e Johnson do disputado arquipélago Spratly, no mar do Sul da China.

Vale lembrar que recentemente a agência Reuters relatou a passagem de outros dois navios de guerra (USS William Lawrence e o USS Stethem) pelo estreito de Taiwan, gerando intenso protesto por parte do governo chinês. A região já anteriormente ocupada pelos países que a reivindicam é disputada por quatro países (China, Malásia, Taiwan, Filipinas e Vietnã). Embora a China trave uma batalha judicial sobre a questão da ilha, a Corte Internacional de Arbitragem de Haia determinou, em 2016, determinou que o governo chinês não teria base legal para assegurar suas reivindicações. Além disso, segundo a Corte, o arquipélago Spratly não constitui um conjunto de ilhas e também não é uma zona econômica exclusiva. O governo chinês, entretanto, nega o parecer de Haia.

Em função do avanço norte-americano, o tenente-coronel Li Huamin, porta-voz do Comando do Teatro Sul do exército chinês, declarou ao portal de notícias das Forças Armadas do país, que o Exército Popular de Libertação da China permanecerá em alerta máximo e que “tomará todas as medidas necessárias para proteger a soberania nacional.” Ainda segundo a publicação, a armada chinesa incita que os navios estadunidenses abandonem a região. De acordo como o tenente-coronel, a soberania chinesa acerca das ilhas Spratly, é indiscutível.

De praxe, o cinismo dos EUA não poderia falhar. O comandante da Sétima Frota dos EUA, Clay Doss, afirmou que a manobra militar é um “passo inocente” e que o objetivo foi “desafiar as reivindicações marítimas excessivas e preservar o acesso a vias navegáveis regidas pelo direito internacional.” Todavia, Geng Shuang, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, revelou que o aviso de que os navios estadunidenses haviam “infringido a soberania chinesa” foi dado logo que os mesmos foram identificados. De acordo com Geng, a ação da marinha estadunidense “minou a paz e a segurança das águas.”

O incidente se deu logo após o presidente Donald Trump afirmar que os EUA elevarão para 25% as tarifas de importação sobre US$200 bilhões em produtos chineses. Só em abril, os EUA impuseram tarifas de US$50 bilhões sobre 1,3 mil produtos chineses, desencadeando uma guerra comercial. Por parte da China, houve a tarifação em 25% sobre 128 produtos dos EUA, como: carne, soja, carros, produtos químicos e aviões. Em Julho de 2018, Trump iniciara a guerra comercial após a imposição de uma taxação de 25% sobre 818 produtos, chegando ao montante de R$34 bilhões.

A crise em que o imperialismo se encontra tem alimentado ainda mais a conhecida política beligerante dos EUA. Está claro que os EUA não querem a mínima concorrência; mesmo que venha de países com empresas muito menos poderosas que as do imperialismo norte-americano. A escalada de tensões tendem a se agravar na medida em que o imperialismo vá encontrando dificuldade em restabelecer seu poderio econômico. Nas condições atuais, entretanto, os obstáculos para a reestruturação do império se revelam cada vez mais intransponíveis.

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