Os Estados Unidos estão estrangulando o Irã para forçá-lo a reagir, em desespero, ou entregar a quarta maior reserva de petróleo do mundo e a segunda maior reserva de gás natural para a exploração e o controle das empresas imperialistas. A última medida, chamada de “pressão máxima”, foram as novas sanções impostas ao país pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Desta vez, Trump o alvo é o próprio líder religioso e supremo, o aiatolá Ali Khamenei e todas as pessoas próximas a ele, além de bilhões de dólares em ativos iranianos pelo mundo estão bloqueados agora.
O imperialismo quer guerra e vai apertando tudo que pode.
O primeiro tiro já foi dado.
Foi em 1988: um vôo comercial, o Iran Air 655, que fazia a rota entre Teerã e Dubai, um Airbus A300, foi atingido e derrubado por um míssil disparado do navio da Marinha dos EUA, o USS Vincennes, que estava no Estreito de Hormuz, no Golfo Pérsico, em águas territoriais do Iã. Segundo as autoridades norte-americanas, a tripulação do navio erroneamente identificou o avião como um caça militar F-14A Tomcat em trajetória de ataque. O erro causou a morte de 290 passageiros, incluindo 66 crianças. O caso foi levado para o Tribunal de Haia pelo Irã e… está lá até hoje sendo analisado.
Recentemente, a imprensa dos EUA rufou tambores de guerra porque o Irã teria abatido um drone, uma aeronave não tripulada dos EUA, que estava sobrevoando o território iraniano, como se isso fosse um absurdo muito grande. Afinal, um avião espião norte-americano pode espionar o território de outro país com o qual esteja em conflito declarado, não é? E os iranianos só derrubaram o drone para provar que o navio petroleiro japonês que esteve queimando no Golfo de Omã, sob a acusação dos Estados Unidos de ter sido atingido de alguma forma pelo Irã, na verdade esteve na mira de um desses drones dos EUA que atiram e somem no ar.
Os EUA colocaram a Guarda Revolucionária do Irã na lista negra como uma “organização terrorista estrangeira”. E o Irã deu o troco, declarando os EUA como “patrocinadores estatais do terrorismo” e as forças americanas no Oriente Médio e em outros países como “grupos terroristas”.
Além da escalada bélica, o povo iraniano sofre com a crise econômica em virtude do bloqueio imposto ao seu país. Depois que o Irã foi forçado a abandonar suas ambições nucleares em 2015, as sanções então impostas foram levantadas e o Irã experimentou um rápido crescimento: mais de 12% no mesmo ano. Até 2018 o Irã exportou mais de 2,5 milhões de barris de petróleo bruto por dia!
Isso foi até um mês antes de Trump abandonar o acordo nuclear e impor novas sanções. O número de barris de petróleo exportados pelo Iã caiu para 400 mil por dia em maio último. Este ano, segundo previsões do FMI, a economia do Irã vai encolher mais 6%, pois já tinha caído 3,9% em 2018. As medidas dos EUA atingiram duramente a economia iraniana. Enquanto as exportações de petróleo do país petrolífero caíram, a inflação e o desemprego dispararam.
O valor da moeda iraniana, o Rial, despencou cerca de 60% no ano passado. A inflação subiu para 37% e o custo dos alimentos e remédios aumentou de 40% a 60%, segundo dados da União Europeia. Muitas empresas estrangeiras, incluindo montadoras como Daimler e Peugeot e o grupo petroquímico Total, encerraram suas operações no Irã nos últimos meses. Isso elevou a taxa de desemprego no país, que gira atualmente em torno de 12%.
O imperialismo está cercando o Irã militar e economicamente para roubar o país e para controlar o Oriente Médio, nada diferente do que sempre fez e faz em outras partes do mundo, como na Venezuela e nos Balcãs.




