Manifestações não tiveram a amplitude que a situação política exige. É preciso corrigir o rumo da mobilização lutando pelo “Fora Bolsonaro” e pela liberdade do ex-presidente Lula
Os atos convocados pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e outras organizações nos últimos dias 2 e 3 de outubro revelaram a falta de orientação geral das direções do movimento de luta contra a direita. Dezenas de atos em todo o país foram realizados contra o governo Bolsonaro, diante da dos ataques do governo contra a Educação.
Os atos foram pequenos, ao contrário das recentes manifestações contra o governo. Isso porque foram muito mal convocados, revelando uma verdadeira paralisia e vacilação das organizações políticas da esquerda pequeno-burguesa diante dos ataques do governo direitista.
No geral, entretanto, o problema político é melhor compreendido pelo método equivocado adotado na mobilização. As pautas parciais revelaram-se um verdadeiro fator de divisão dentro do movimento contra o golpe. A pauta em defesa da Educação não mobiliza sozinha.
Tanto é que, em várias cidades, não foi a educação o fator predominante, mas a luta contra as privatizações. Em outras, a Previdência. Cada organização levantou sua bandeira de luta parcial, a que considera mais importante, tirando o caráter unitário das manifestações e, portanto, enfraquecendo-as.
Nesse sentido, o único fator que unificou todas as organizações foi a luta contra o governo Bolsonaro, não por conta de determinadas medidas, mas por causa de todos os ataques que o governo tem realizado contra a população.
Fica claro que nesse momento a única palavra-de-ordem para unificar todos os movimentos de luta contra o governo é o “Fora Bolsonaro”. Com esta, unificam-se aqueles que lutam pela Reforma Agrária e aqueles que querem aumento salarial; aqueles que são contra as privatizações e aqueles que querem derrotar a reforma da Previdência; aqueles que são contra os cortes na Educação e aqueles que querem o fim da repressão policial; assim por diante.
Nas mobilizações do primeiro semestre ficou evidente que enquanto a maioria dos trabalhadores e estudantes buscavam dirigir o protesto em torno de duas questões centrais, capazes de impor uma derrota profunda ao governo, a luta pela liberdade de Lula (“Lula Livre”) e pelo “Fora Bolsonaro”, as direções buscaram – sem êxito, mas com apoio da imprensa golpista – limitar as manifestações às reivindicações em torno da “defesa da Educação”. Essa politica assumiu, até mesmo, a forma reacionária de defender a inútil substituição do ministro da Educação, sem defender a queda do presidente golpista. Um “remédio” já usado sem qualquer resultado, uma vez que a queda do primeiro escolhido por Bolsonaro, o reacionário Velez Rodriguesz, deu lugar à posse de outro ministro ainda mais reacionário, Abraham Weintraub, que impôs pesados cortes no Orçamento do setor, lanço o “Future-se”e outros planos de ataque contra o ensino público.
Toda a luta deve estar focada em derrotar a ofensiva geral da direita. Por isso, os pequenos atos dos dias 2 e 3 comprovam que a tese da luta por medidas parciais está errada. É preciso unificar todos em torno de uma só política contra o golpe
É preciso tomar as ruas com uma política de enfrentamento com o governo, a favor de sua derrubada, único caminho para barrar a ofensiva destrutiva contra a Educação e contra tudo o que diga respeito aos interesses nacionais, dos trabalhadores e da juventude.
Parar escolas e universidades, tomar as ruas e realizar uma grande mobilização pela liberdade de Lula, pela anulação da criminosa operação lava jato, pelo fora Bolsonaro e todos os golpistas, com novas eleições gerais, com Lula candidato.





