Atos de hoje são sim contra o governo Bolsonaro

Convocados originalmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, os gigantescos e massivos atos que se realizaram em todo o país no dia 15 de maio, com manifestações nos 26 estados e mais o Distrito Federal, extrapolaram a luta “setorizada em defesa da educação” e contra aos ataques do governo ao ensino público (redução do orçamento das universidades federais, bloqueio de recursos para ações e programas e cortes de bolsas)  tornando-se, como se viu e foi possível constatar, uma enorme mobilização pelo FORA BOLSONARO, que foi o grito ouvido em todas as principais cidades do país onde ocorreram as mobilizações.

Esse mesmo desejo de ver escorraçado do poder o fraudulento governo Bolsonaro – um cadáver insepulto que apodrece à luz ante os olhos da população – já havia se manifestado na festa popular mais importante do país, o carnaval, onde no início do mês de março, centenas de milhares de pessoas já haviam entoado cânticos contrários ao governo fantoche do imperialismo, manifestado em ruas e praças de todo o Brasil, onde não faltaram palavras de ordem contra o governo (ei Bolsonaro, VTNC) inclusive nas marchinhas e nos blocos de rua, passando pelos sambas enredo das grandes escolas dos principais estados, com destaque para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Essa mesma disposição de colocar fim ao governo dos banqueiros e dos demais exploradores, de terra arrasada contra os interesses do país e do povo trabalhador teve continuidade em várias ocasiões, ainda que em menor escala, deixando claro que  o conjunto da população, mesmo em protestos menores e esporádicos, vem exigindo a derrubada de Bolsonaro e seu governo reacionário e direitista, de ataques aos trabalhadores e à população explorada.

No entanto, o que se vê neste momento, depois das impressionantes manifestações do dia 15, é um gigantesco esforço da imprensa golpista nacional (bolsonarista) em tentar ocultar o caráter de luta e enfrentamento contra o governo Bolsonaro que assumiram as manifestações em todo o país. Este mesmo esforço também vem sendo feito pela grande maioria da esquerda e das direções do movimento sindical, operário, popular e estudantil do país. As análises dos acontecimentos do dia 15 feitas por um amplo setor da esquerda nacional se referem às manifestações como de caráter “defensivo”, “setorizadas”, em “defesa da educação”, e que seria um “erro grave” interpretá-las como de enfrentamento direto ao governo Bolsonaro.

Ora, basta um discreto olhar para o que as ruas revelaram no dia 15 para constatar que as manifestações “setorizadas” e em “defesa da educação” foram muito além de uma luta específica em defesa de um determinado setor ou segmento de trabalhadores (educação), ou mesmo em defesa das instituições de ensino superior do país. O que a esquerda pequeno burguesa não quer enxergar é que há todo um material inflamável no ar provocado pela política de ataques do governo golpista contra o conjunto da população e que qualquer chamado à mobilização – não importa quem a convoque e qual a pauta específica a ser reclamada – acaba dando lugar à revolta latente que há muito existe na maioria da população do país contra os responsáveis pela mais completa destruição que vem sendo levada adiante pelos golpistas, desde o impeachment fraudulento contra o governo eleito em 2014.

Desta forma, as manifestações marcadas para ocorrerem novamente neste dia 30 de maio devem novamente reforçar o mesmo conteúdo presente nas manifestações do último dia 15, de claro enfrentamento ao moribundo governo Bolsonaro, que já não conta com o apoio nem mesmo de determinados setores que o elegeram em 2018. Isso ficou patente nas raquíticas e pálidas “manifestações” do último domingo, dia 26, onde mesmo diante do enorme esforço realizado pelos órgãos da imprensa golpista bolsonarista para mostrar as ruas ocupadas por apoiadores do ex-capitão, o que se viu em algumas poucas cidades foi um patético desfile de uma minoria de elementos da extrema direita nacional, devotos do bolsonarismo, sem qualquer apelo ou conteúdo popular.

As manifestações deste dia 30, portanto, não podem e não devem ficar restritas a pautas setorizadas, de defesa desta ou daquela reivindicação, mas devem ganhar um claro contorno de enfrentamento contra o governo Bolsonaro, de luta das massas populares para colocar para fora ,o governo que vem atacando os trabalhadores e destruindo a economia nacional. Este movimento nacional de luta, esta segunda etapa deve estar dirigida no sentido de fazer do dia 14 de junho (GREVE GERAL) o momento em que o Brasil irá para de norte a sul para dizer um sonoro não ao governo Bolsonaro, que certamente irá se manifestar na palavra de ordem que já se tornou o mantra oficial das manifestações antibolsonaristas: Fora Bolsonaro! Liberdade para Lula! Eleições Gerais! Lula Candidato!

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