O governo da África do Sul vai utilizar o exército para dar apoio às forças policiais na repressão contra supostos crimes violentos nos bairros pobres da Cidade do Cabo (capital legislativa do país).
“A Força Nacional de Defesa vai empregar um batalhão com elementos de suporte durante a Operação PROSPER”, disse ontem (12) o ministro da Defesa sul-africano. Serão centenas de soldados espalhados pelos bairros entre julho e outubro.
A desculpa para o aumento da repressão é a que a direita sempre utilizou: o aumento da violência. No primeiro semestre deste ano, cerca de 2 mil pessoas teriam sido mortas nos bairros negros da cidade. Mas, de acordo com informação de reportagem da agência Reuters, esses bairros têm experimentado altas taxas de desemprego e consumo de drogas.
Se existe realmente tal aumento na violência, a causa é justamente esta: o desemprego. A direita, obviamente, gera o desemprego com sua política neoliberal e usa a repressão para “solucionar” os problemas sociais criados a partir da falta de emprego – como roubos, assassinatos e tráfico de drogas.
Entretanto, o governo sul-africano, desde o fim do Apartheid, pode ser considerado um governo nacionalista burguês extremamente moderado, até mesmo de esquerda. Porque a queda do regime racista de extrema-direita que durou até o início de 1990 se deveu a uma grande mobilização popular que obrigou a burguesia a fazer algumas concessões ao povo, de maioria negra, como, por exemplo, tirar os brancos do governo para colocar os negros – representantes dessa maioria -, como Nelson Mandela.
Mas, na prática, os negros continuam sendo submetidos a uma política de intensa exploração e repressão. O exemplo do emprego do exército nos bairros pobres (habitados pelos negros, enquanto os brancos vivem nos bairros ricos) é significativo.




