Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo e Corinthians levaram ao Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira (3), sua oposição à proibição das bets. Na audiência conduzida pelo ministro Luiz Fux, representantes dos clubes disseram que perder os patrocínios imediatamente comprometeria receitas já previstas e contratos em execução.
O dinheiro das casas de apostas passou a ocupar um lugar enorme nas contas do futebol. Segundo levantamento citado pelo DCO, as empresas destinaram R$1,03 bilhão aos clubes da Série A em 2025. O governo permitiu que esse mercado se expandisse e que acordos fossem firmados por vários anos. Agora, a medida provisória de proibição coloca os mesmos contratos sob ameaça.
Na audiência, o Flamengo questionou a necessidade da medida e afirmou que ela prejudica o cumprimento de obrigações financeiras. O Fluminense apontou efeitos também sobre direitos de transmissão e espaços publicitários. O Botafogo reclamou do prazo para adaptar suas contas. A Federação Nacional de Atletas acompanhou a defesa de uma transição que não retire de uma vez os recursos das equipes.
As bets trazem prejuízos aos apostadores e não devem comandar o futebol. Isso não apaga o fato de que os clubes aceitaram patrocínios dentro das regras estabelecidas pelo próprio Estado. Se o governo muda essas regras, precisa enfrentar as consequências sobre salários, equipes e competições. Simplesmente cortar a receita e mandar os clubes resolverem o problema no STF transfere a conta para quem trabalha no esporte.
O caso mostra também a fragilidade de um futebol cada vez mais dependente de patrocinadores privados para funcionar. A saída para essa dependência exige discutir como financiar os clubes, proteger suas atividades e garantir aos torcedores participação nas decisões. Não sairá de uma audiência na qual o destino das equipes fica nas mãos de um ministro.





