O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou nesta terça-feira (3) que a política adotada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais está preparando uma nova ascensão da direita. Durante o programa Análise de Terça, transmitido pela Causa Operária TV (COTV) e pela Rádio Causa Operária, o dirigente analisou a situação política brasileira, as pressões dos capitalistas sobre o governo e a crise dos partidos tradicionais. Também comentou as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, a ofensiva da União Europeia no Leste Europeu e as manifestações contra o governo francês.
Ao responder a uma pergunta sobre a vitória eleitoral de Lula, Pimenta rejeitou a tese de que o resultado representaria uma derrota do fascismo. Para ele, a campanha organizada pelo PT e por seus aliados apresentou o bolsonarismo como uma ameaça de ditadura iminente, procurando reunir a população em torno de uma frente eleitoral que agora deverá aplicar uma política econômica direitista.
"O sistema de dominação da burguesia é um complexo de partidos. O PT faz parte do sistema de dominação da burguesia. E qual é a função dele? A função dele é amortecer e integrar ao regime as organizações populares, as lutas populares. Então, para você saber qual partido é melhor e qual partido é pior num dado momento, você precisa de uma análise da situação."
O presidente do PCO explicou que a atuação dos partidos deve ser examinada a partir da função que cumprem em cada situação política. Como exemplo, mencionou a possibilidade de a burguesia recorrer a um partido de extrema esquerda para conter um movimento revolucionário. Nesse caso, argumentou, esse partido poderia representar um obstáculo maior à revolução do que as organizações tradicionais da direita.
"Quem está cumprindo a função principal hoje é o PT, que é a função de dar sustentação ao regime político da burguesia", declarou. Em seguida, acrescentou: "a política do PT está preparando a ascensão da direita. Ela não é a política contra a direita".
O papel da burguesia na vitória de Lula
Uma das principais questões discutidas foi a interferência dos grandes capitalistas no segundo turno das eleições presidenciais. Pimenta sustentou que a burguesia dispõe de recursos suficientes para influenciar decisivamente o resultado de uma eleição, incluindo o controle dos grandes meios de comunicação, o financiamento de campanhas e a atuação de partidos e governos estaduais e municipais.
Como exemplo histórico, mencionou a eleição de Fernando Collor de Mello, em 1989. Na ocasião, lembrou, um governador pouco conhecido nacionalmente recebeu o apoio dos principais setores da burguesia e acabou derrotando candidatos que possuíam uma trajetória política muito mais expressiva.
Para Pimenta, o apoio dos capitalistas à vitória de Lula em 2026 poderia ser observado, entre outras coisas, na aprovação de medidas destinadas a favorecer o presidente durante a campanha. O dirigente citou a votação da proposta de fim da escala de trabalho 6×1 e o reajuste do Bolsa Família nas proximidades da eleição.
"Foi o Alcolumbre que organizou a votação. Essa bancada que votou 6×1, a maioria é uma bancada burguesa. Não foi só isso. O Lula, por exemplo, reajustou o Bolsa Família na véspera da eleição. Se a burguesia estivesse contra ele, isso daí se transformaria num grande escândalo. Não falaram nada. […] O Lula organizou, assim, na boca da eleição, um pacote de distribuição de dinheiro imenso. Isso daí, por exemplo, poderia ter levado, inclusive, à cassação da candidatura dele pelo volume."
A ausência de uma campanha da imprensa contra essas medidas seria outro indício da posição adotada pelos grandes capitalistas. Pimenta observou que os principais jornais e emissoras poderiam ter apresentado a distribuição de recursos durante o período eleitoral como uma irregularidade grave, mas não fizeram isso.
"Quando eles querem alguma coisa, eles não param de falar. Mil matérias, Rede Globo, 24 horas por dia e tal. Não teve nada disso", disse.
O dirigente fez uma distinção entre a interferência da burguesia no processo político e uma fraude na contagem dos votos. Embora tenha considerado que o resultado da eleição foi fortemente influenciado pelos grandes capitalistas, afirmou que não seria correto concluir, a partir disso, que a votação havia sido fraudada.
Lula deverá ceder às exigências dos capitalistas
A política econômica do novo governo ocupou outra parte importante da transmissão. Os apresentadores mencionaram a alta do dólar após o resultado eleitoral, as exigências dos empresários por cortes de gastos e as declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre a preparação de medidas fiscais.
Pimenta considerou que Lula não dispõe de força política para resistir à pressão dos capitalistas. Sua avaliação é que o governo procurará apresentar o ajuste fiscal de maneira a diminuir o desgaste entre os trabalhadores, mas acabará atendendo às exigências da burguesia.
"A burguesia está pressionando, ele vai ceder, ele vai procurar disfarçar a política de ajuste fiscal, mas é isso que vai acontecer. O governo do PT é um governo que só pode ser um governo direitista. Não tem nenhum apoio pela esquerda. O apoio pela esquerda teria que ser colocar o povo na rua."
A dificuldade de mobilizar os trabalhadores estaria ligada à própria orientação da campanha presidencial. Segundo Pimenta, o PT procurou convencer seus apoiadores de que a tarefa fundamental seria impedir a vitória do suposto fascismo. Com a eleição encerrada, essa palavra de ordem perdeu sua finalidade imediata.
O presidente do PCO destacou a diferença entre as grandes manifestações eleitorais organizadas no segundo turno e os pequenos atos convocados pela União Nacional dos Estudantes (UNE) após a vitória de Lula.
"Como é que uma mobilização tão gigantesca na eleição reúne menos de mil pessoas dez dias depois? Por que é um movimento tão bipolar assim? Na realidade, isso é uma ficção. […] Esse movimento era um movimento eleitoral, quer dizer, foi colocado em marcha um grande aparato. Contou com o apoio do Estado, com o apoio de empresas de educação particulares que soltaram os estudantes na rua. Eles devem ter gasto muito dinheiro para fazer esses atos."
Pimenta citou a manifestação convocada na Praça Roosevelt, em São Paulo, que, segundo sua avaliação, reuniu apenas algumas dezenas de pessoas. A diferença demonstraria que as manifestações do segundo turno dependeram de recursos financeiros e da mobilização de um grande aparato político, sem produzir uma organização popular independente capaz de continuar atuando depois da eleição.
PT está se transformando em um novo MDB
Outra questão foi a incorporação de políticos de direita ao PT. Os apresentadores mencionaram as articulações para uma possível filiação de André Janones e o interesse manifestado por Érika Hilton em entrar no partido.
Pimenta afirmou que esse processo expressa uma transformação mais profunda do PT, que estaria deixando de ser uma organização identificada com a esquerda para assumir uma posição semelhante àquela ocupada anteriormente pelo MDB.
"O PT, nos mandatos anteriores, incorporou vários elementos direitistas. Mas esses elementos direitistas não tinham um papel tão importante como os que estão entrando agora. E é muita gente que está entrando. […] O PT está se transformando no partido central de uma ampla coligação burguesa que eles chamam de frente ampla."
O dirigente citou a aproximação de antigos integrantes do PSDB, o ingresso de representantes dos latifundiários e o papel assumido pelo PSB, que classificou como uma espécie de partido auxiliar do PT.
A transformação estaria ligada também à crise dos partidos tradicionais. Pimenta mencionou o enfraquecimento do PSDB e a situação do PDT, que, em sua avaliação, deixou de representar uma corrente trabalhista independente e passou a sobreviver como apêndice do PT.
O presidente do PCO considerou que a maior parte dos partidos burgueses tradicionais está em declínio. O PL, entretanto, estaria numa situação diferente, por conservar uma base eleitoral expressiva e ter conseguido ampliar sua representação parlamentar.
A situação do PT poderá se tornar ainda mais difícil com a saída de Lula da vida política.
"Logicamente que, sem o Lula, o PT perde o principal capital político que ele tem. Aí o que vai acontecer vai depender. O partido vai ter que se reposicionar, ter que se transformar enquanto partido", explicou.
A respeito do bolsonarismo, Pimenta rejeitou a caracterização apresentada pela esquerda petista, segundo a qual existiria um movimento fascista organizado, com uma orientação política única.
"O movimento bolsonarista é uma coisa muito confusa. Não é uma coisa unitária, não tem coerência ideológica. É um movimento em grande medida improvisado que surge aí como parte da decadência do PT. […] É útil apresentar que o bolsonarismo é um bloco fechado porque ajuda na propaganda do bicho-papão do bolsonarismo. Mas o bolsonarismo está muito longe de ser tudo isso."
Embora tenha reconhecido a existência de indivíduos com ideias fascistas no bolsonarismo, o dirigente afirmou que isso não caracteriza o movimento em seu conjunto. Também considerou que as relações com Donald Trump e Javier Milei não representam uma influência internacional própria do bolsonarismo, mas alianças políticas que atendem a interesses circunstanciais.
Questionado sobre a possibilidade de o PL utilizar sua bancada no Senado para promover o impedimento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Pimenta afirmou que a decisão dependerá dos acordos estabelecidos entre os partidos burgueses. Lembrou que Jair Bolsonaro passou décadas no Congresso Nacional e participou das negociações habituais da política parlamentar.
Trump enfrenta uma crise provocada por sua própria política
Na análise da situação internacional, Pimenta abordou as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira. A disputa ocorreu em meio à queda da popularidade de Donald Trump, às dificuldades econômicas do governo e ao agravamento dos conflitos entre republicanos e democratas.
O presidente do PCO afirmou que as eleições norte-americanas adquiriram um caráter mais violento desde a chegada de Trump à direção do Partido Republicano. Segundo ele, a burguesia dos Estados Unidos procura recuperar o controle integral do aparelho político, abalado pela ascensão de setores que não pertenciam às organizações tradicionais do regime.
"A eleição nos Estados Unidos sempre foi um jogo de compadres. Nunca teve uma disputa para valer. Entrava o Partido Republicano, a cada tempo entrava o Partido Democrático, os democratas faziam alguma coisinha social, aliviavam a tensão e por aí vai. Agora, com a presença do Trump e da tomada do Partido Republicano por elementos que vieram de fora da política tradicional dos Estados Unidos, a coisa se transformou numa guerra, porque a burguesia quer retomar o controle total do Estado norte-americano."
Pimenta considerou que Trump cometeu um erro ao abandonar parte da política que lhe garantiu popularidade e se envolver diretamente na ofensiva militar contra o Irã.
Na sua avaliação, o presidente norte-americano acreditou que uma vitória militar poderia melhorar sua posição diante dos grandes capitalistas e fortalecer seu governo. A operação, entretanto, não produziu os resultados esperados e agravou sua situação interna.
"Ele caiu como um patinho na armadilha", resumiu.
O apresentador mencionou declarações do jornalista Tucker Carlson sobre a possibilidade de um novo ataque contra o Irã, inclusive com o emprego de armas nucleares contra instalações subterrâneas.
Pimenta afirmou que uma ofensiva contra o país persa atende aos interesses gerais do grande capital imperialista, mas ressaltou que determinados setores da burguesia norte-americana estão mais interessados, neste momento, em explorar o desgaste político de Trump.
Para o dirigente, essa contradição explica por que uma política que corresponde aos interesses estratégicos do imperialismo pode encontrar resistência entre setores que pretendem enfraquecer o presidente.
União Europeia intensifica intervenção no Leste Europeu
Os conflitos políticos no Leste Europeu foram outro assunto do programa. Os apresentadores relataram denúncias de intervenções institucionais na Polônia, de perseguição a antigos integrantes do governo de Viktor Orbán na Hungria e de manipulação política na Sérvia.
Na avaliação de Pimenta, esses acontecimentos estão ligados ao esforço do imperialismo europeu para controlar os governos da região e preparar um confronto militar com a Rússia.
"A União Europeia tem investido no controle dos governos da Europa do Leste porque, visivelmente, ela está preparando uma guerra contra a Rússia. É muito visível isso. O que é estranho, porque, para qualquer pessoa, até eu mesmo penso assim, isso seria um verdadeiro suicídio. Mas não há como negar que é isso que está acontecendo."
Pimenta também comentou a formação de alianças entre setores nacionalistas, partidos conservadores e governos estrangeiros que defendem posições aparentemente contraditórias.
Para ele, a oposição de determinados partidos à União Europeia decorre dos interesses econômicos de setores das burguesias nacionais prejudicados pela política de Bruxelas.
"É um setor da burguesia local que se movimenta contra a União Europeia porque a União Europeia está destruindo esse setor da burguesia. É um problema econômico", afirmou.
Essa oposição, entretanto, não significa que esses partidos tenham um programa político coerente. Por isso, argumentou, podem aparecer organizações contrárias à União Europeia que, ao mesmo tempo, defendem "Israel" ou mantêm relações favoráveis com governos que possuem interesses internacionais conflitantes.
Mélenchon procura responder às manifestações francesas
A situação da França também foi analisada. O país atravessa uma nova onda de manifestações contra o governo de Emmanuel Macron, iniciada com protestos estudantis contra os cortes na educação e ampliada para outros setores da população.
Os apresentadores destacaram as propostas do dirigente da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, que passou a defender o não pagamento de parte da dívida pública e a ampliação da intervenção estatal na economia.
Pimenta avaliou que Mélenchon procura responder ao deslocamento de uma parcela dos trabalhadores e estudantes para posições mais à esquerda, provocado pelo desgaste do governo Macron e pelo apoio recebido por ele dos partidos tradicionais.
"O Mélenchon, eu diria que a grande virtude dele, tem muitos defeitos, é que ele é receptivo a essa pressão da base pela esquerda. […] Na França, porque a política que no Brasil é feita pelo PT é a política do Macron. Então isso gera uma pressão contra o macronismo. E a maioria dos partidos que se apresentam como esquerda também apoiam o Macron, os partidos socialistas, o Partido Comunista Francês."
Segundo o presidente do PCO, Mélenchon percebeu que havia espaço para apresentar propostas mais radicais e está procurando aproveitar politicamente a insatisfação popular.
Isso não significa, entretanto, que esteja disposto a enfrentar até o fim os interesses da burguesia francesa. Pimenta manifestou dúvidas sobre a possibilidade de o dirigente levar seu programa às últimas consequências.
O presidente do PCO também comparou a situação francesa com a brasileira. Enquanto na França setores da esquerda e da direita passaram a questionar a política econômica neoliberal, no Brasil a disputa presidencial ocorreu entre duas candidaturas comprometidas com essa orientação.
A incapacidade do PT de apresentar uma alternativa estaria ligada à sua fraqueza diante da burguesia e à dependência política que estabeleceu em relação aos grandes capitalistas.
Na Itália, Pimenta identificou um problema semelhante. Ao comentar as declarações do ex-general Roberto Vannacci contra os gastos militares e o confronto com a Rússia, afirmou que os partidos da direita italiana chegaram sucessivamente ao governo prometendo mudanças, mas acabaram aplicando a política tradicional do imperialismo.
O dirigente mencionou Silvio Berlusconi, a Liga e os Irmãos da Itália, de Giorgia Meloni, como exemplos de organizações que se adaptaram às exigências da OTAN e da burguesia europeia depois de assumirem o governo.
A esquerda italiana, por sua vez, não teria conseguido aproveitar o desgaste desses partidos porque perdeu sua independência política.
"A esquerda não tem personalidade própria. A esquerda do regime seria o Partido Democrático, que é o antigo Partido Comunista Italiano, e a esquerda não consegue ter uma separação integral", declarou.
Pimenta recordou a trajetória do Partido da Refundação Comunista, que chegou a reunir diferentes correntes de esquerda, mas acabou se aproximando do Partido Democrático. Segundo ele, os setores que romperam com a organização não conseguiram formar partidos com influência política equivalente.
Crise do PT coloca necessidade de alternativa revolucionária
Na parte final do programa, Pimenta voltou à situação brasileira ao responder a uma pergunta sobre as críticas que faz ao governo Lula.
Um espectador questionou se a posição do PCO seria resultado de uma hostilidade pessoal ao PT. O dirigente rejeitou essa interpretação e afirmou que o problema é a necessidade de esclarecer a situação política do País diante da decadência do partido governista.
"Ódio na política é uma coisa profundamente errada. Não tem ódio de nada. O problema aqui é outro. Eu acho que nós estamos numa situação em que a decadência do PT coloca o problema de se criar uma alternativa ao PT. O motivo das críticas é isso. Nós estamos esclarecendo o que está acontecendo no País. O PT é muito pior do que aquilo que aparece na nossa crítica. As pessoas não fazem ideia."
Pimenta também discutiu as possibilidades de uma transformação revolucionária no Brasil. Ao comentar a hipótese de eleição de um presidente comunista, afirmou que uma candidatura efetivamente contrária à burguesia dificilmente chegaria à Presidência pelas vias normais do regime político.
Uma vitória eleitoral desse tipo, segundo ele, só seria possível em uma situação de crise revolucionária, quando a própria dominação burguesa estivesse ameaçada pela mobilização popular.
O dirigente rejeitou, por outro lado, a concepção de que uma revolução poderia ser realizada pela ação isolada de uma pequena organização armada.
"O que nós defendemos é a revolução da maioria. Juntar um pessoal, pegar em armas e tentar tomar o poder não é a nossa política", afirmou.
Também defendeu a unidade territorial do Brasil ao responder a uma pergunta sobre movimentos separatistas. Para Pimenta, a divisão do País enfraqueceria sua capacidade de enfrentar o imperialismo, uma vez que a extensão territorial e as riquezas naturais constituem recursos fundamentais para seu desenvolvimento independente.
Na avaliação apresentada durante o programa, a dependência do Brasil em relação ao imperialismo não seria resolvida pela criação de países menores, que ficariam ainda mais vulneráveis à dominação estrangeira.
Ao tratar da situação do próprio PCO, Pimenta afirmou que a influência de uma organização revolucionária não pode ser medida exclusivamente pelos recursos financeiros de que dispõe. Para ele, o fato de o Partido provocar reações de adversários com muito mais dinheiro demonstraria a importância da luta política.
A crise do PT, portanto, coloca a necessidade de uma alternativa política independente da burguesia. Na avaliação de Pimenta, a vitória de Lula não representou uma solução para os problemas da esquerda brasileira. Pelo contrário, a tendência de o governo aplicar uma política de ajuste fiscal e ampliar suas alianças com os partidos tradicionais deverá aprofundar a contradição entre o PT e os interesses dos trabalhadores.
O programa Análise de Terça é transmitido todas as terças-feiras, às 13 horas, pela Rádio Causa Operária.





