Formação política

Escola Marxista: a atualidade do Manifesto contra a política de conciliação

Rui Costa Pimenta ministrou em São Paulo curso sobre a obra de Trótski, que retoma o programa revolucionário de Marx e Engels

O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, ministrou neste sábado (31) uma aula da 6ª edição da Escola Marxista, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), no centro de São Paulo. O curso, dedicado à obra A atualidade do Manifesto Comunista, de Leon Trótski, foi marcado para as 17 horas, após a Análise Política da Semana, programa apresentado pelo dirigente. A atividade integra uma série de cursos organizados pelo Partido em diferentes cidades do País.

O encontro ocorreu na sede do CCBP, localizada na Rua Conselheiro Crispiniano, 73, a uma quadra da estação Anhangabaú do Metrô. A Escola Marxista é aberta a trabalhadores, estudantes, militantes e simpatizantes interessados no estudo da teoria revolucionária.

Além de São Paulo, a programação deste sábado incluiu Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. Na capital federal, a aula foi marcada para as 10 horas, com o professor Pedro Burlamaqui, no Edifício Eldorado, entrada A, sala 118, no Conic. Em Porto Alegre, Mauro Souza ficou responsável pelo curso das 11 horas, na sede do Sindipetro, na Rua General Lima e Silva, 818.

Em Belo Horizonte, a atividade foi programada para as 16 horas, com o professor Isaias Mota Alves Filho, no Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (CENARAB), na Rua Desembargador Barcelos, 102.

A programação continuará em novembro. No próximo sábado, 7 de novembro, está prevista uma edição no Rio de Janeiro, com o professor Antônio Carlos Silva. O endereço e o horário poderão ser consultados com a organização.

A sexta edição da Escola Marxista começou em 17 de outubro, com atividades em Dourados, Salvador e João Pessoa. A programação também incluiu Recife, Valparaíso, Amambai e Curitiba. O PCO pretende levar o estudo da obra de Trótski a dezenas de municípios, por meio de cursos realizados em um único dia.

A atualidade do Manifesto Comunista

O texto escolhido para esta edição foi escrito por Leon Trótski em 1937, como prefácio a uma publicação do Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Frederico Engels. O revolucionário russo retomou as principais conclusões do documento de 1848, examinando o desenvolvimento do capitalismo e a experiência da luta operária durante as nove décadas seguintes.

Quando Marx e Engels publicaram o Manifesto, o capitalismo industrial ainda estava em expansão e a classe operária dava seus primeiros passos na organização política independente. Em 1937, o mundo havia passado pela Comuna de Paris, pela Primeira Guerra Mundial e pela Revolução Russa de 1917, que levou os trabalhadores ao poder pela primeira vez.

O capitalismo também havia sofrido transformações. A livre concorrência dera lugar ao domínio dos monopólios e do capital financeiro. A disputa imperialista provocara uma guerra mundial, enquanto a crise econômica e as derrotas do movimento operário abriram caminho para a chegada do fascismo ao governo na Itália e na Alemanha.

Trótski procurou demonstrar que esses acontecimentos haviam confirmado as teses fundamentais de Marx e Engels. A concentração da riqueza, o desenvolvimento das crises de superprodução e o antagonismo entre burguesia e proletariado não desapareceram com o crescimento das forças produtivas. Pelo contrário, tornaram-se ainda mais evidentes.

O revolucionário também examinou questões que não haviam recebido um desenvolvimento completo em 1848, como o imperialismo, a situação das classes médias, a luta dos povos coloniais e a importância da direção política nas revoluções.

Sua conclusão foi que o Manifesto Comunista permanecia atual em seus fundamentos. Os acontecimentos posteriores exigiam desenvolver a teoria marxista, e não substituir a luta pelo socialismo por tentativas de reformar o capitalismo.

A obra também retoma uma das principais questões do marxismo: a necessidade de a classe operária organizar seu próprio partido e lutar pelo poder político, em vez de se limitar a apoiar os partidos da burguesia.

A eleição terminou, mas a pressão dos capitalistas continua

A realização da Escola Marxista ocorre poucos dias depois da eleição presidencial, que garantiu a Lula seu quarto mandato. Durante o segundo turno, o PT e a esquerda pequeno-burguesa procuraram convencer os trabalhadores de que a única maneira de combater o bolsonarismo seria apoiar a frente ampla organizada em torno da candidatura petista.

A campanha apresentou a aliança com setores da burguesia como uma necessidade para defender a democracia. Organizações que haviam criticado as concessões de Lula à direita abandonaram suas objeções e passaram a defender o acordo eleitoral. As reivindicações dos trabalhadores ficaram subordinadas à vitória de uma candidatura apoiada por representantes dos grandes capitalistas.

Terminada a eleição, porém, os banqueiros e empresários continuam exigindo medidas contra a população. A pressão pelo ajuste fiscal, pela continuidade das privatizações e pela redução dos gastos públicos mostra que os aliados burgueses do PT não abandonaram seus interesses porque Lula venceu a disputa presidencial.

O próprio PT, longe de organizar uma reação contra essas exigências, procura assegurar aos capitalistas que seu governo preservará os compromissos assumidos com eles. A política de conciliação também não oferece uma saída para a ofensiva contra os direitos democráticos, conduzida pelo aparato judicial por meio da censura e da perseguição política.

A vitória eleitoral de Lula, portanto, não resolveu a contradição fundamental entre os interesses dos trabalhadores e os dos grandes capitalistas. O problema não é apenas a pressão exercida sobre o governo, mas a própria política de procurar administrar o Estado capitalista em acordo com a burguesia.

É nesse ponto que o estudo do Manifesto Comunista adquire importância para a luta política atual.

Marx e Engels demonstraram que a burguesia e o proletariado possuem interesses opostos. Enquanto os capitalistas dependem da exploração do trabalho assalariado para obter seus lucros, os trabalhadores precisam lutar contra essa exploração. Não existe, portanto, uma política capaz de conciliar permanentemente os interesses fundamentais das duas classes.

O programa comunista não se limita à conquista de melhorias dentro da ordem capitalista, embora os trabalhadores devam lutar por todas as suas reivindicações imediatas. Seu objetivo é a conquista do poder pela classe operária e a abolição da propriedade privada burguesa dos meios de produção.

Essa concepção se opõe diretamente à política defendida pelo PT, segundo a qual os trabalhadores devem aceitar sucessivas concessões à direita para preservar uma aliança eleitoral e parlamentar com setores da burguesia.

A experiência histórica examinada por Trótski também permite discutir o argumento de que o combate à extrema direita exige o abandono da independência política dos trabalhadores.

Nos anos anteriores à Segunda Guerra Mundial, o revolucionário russo combateu a política das direções reformistas e stalinistas que desorganizaram a resistência operária ao fascismo. Defendeu a frente única das organizações dos trabalhadores para enfrentar a reação, mas rejeitou a subordinação do movimento operário aos partidos burgueses.

A diferença é fundamental. A unidade dos trabalhadores para combater a direita não significa que devam entregar sua direção política aos capitalistas ou abandonar suas próprias reivindicações.

Uma escola para discutir o programa revolucionário

A sexta edição da Escola Marxista foi organizada para apresentar essas questões a trabalhadores e militantes que não tiveram necessariamente uma formação anterior em teoria marxista.

As aulas abordam o desenvolvimento do capitalismo, as crises econômicas, a luta entre as classes sociais e as experiências revolucionárias posteriores à publicação do Manifesto. Também discutem as diferenças entre o marxismo e as correntes políticas que defendem a reforma gradual da sociedade capitalista.

O estudo de Trótski permite compreender por que as crises do capitalismo não conduzem automaticamente ao socialismo. A história mostrou que os trabalhadores precisam de organização, de um programa e de uma direção política capazes de enfrentar a burguesia.

A Revolução Russa demonstrou a possibilidade de a classe operária conquistar o poder. As derrotas posteriores, especialmente a ascensão do fascismo, mostraram as consequências que podem resultar dos erros das direções políticas do movimento operário.

Essas experiências estão diretamente relacionadas aos debates travados atualmente na esquerda brasileira. Depois de uma campanha em que a defesa de Lula foi apresentada como a principal tarefa dos trabalhadores, permanece a questão de como enfrentar as medidas direitistas que o próprio governo petista pretende levar adiante.

Para o PCO, a resposta não está em abandonar as reivindicações populares para preservar a frente ampla, mas em organizar os trabalhadores para lutar por seus próprios interesses.

É essa a discussão política que a Escola Marxista procura desenvolver. O estudo da história do movimento operário e da teoria marxista é apresentado como parte da preparação necessária para enfrentar os ataques dos capitalistas e combater a política de conciliação de classes.

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