Macron passou a contar os próximos dias de protesto. Em Marselha, nesta segunda-feira, 26/10, chamou o sábado de 31/10 de “alto risco” e mencionou a mobilização sindical prevista para 5/11. A preocupação do presidente vem apenas dois dias depois de uma jornada que o governo tentou conter com 70 mil policiais e militares.
Em 24/10, 1.314 pessoas foram presas, segundo o Ministério do Interior. Blindados, drones e helicópteros acompanharam a operação policial. Manifestações foram proibidas nos centros de várias cidades. Em Paris houve uso de canhões d’água e gás lacrimogêneo; em Lyon, agentes dispersaram pessoas que tentavam bloquear uma via. Os sindicatos calcularam cerca de 800 mil participantes, enquanto o governo contou 410 mil.
A repressão não retirou os motivos da mobilização. Estudantes cobram verbas, vagas universitárias e o fim do sistema de seleção Parcoursup. Trabalhadores combatem o custo de vida e os cortes previstos no orçamento de 2027. Coletes amarelos convocaram ações para 31/10, e sindicatos preparam a greve de 5/11.
Macron prometeu que seu primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, ouviria representantes estudantis. Também acusou as redes sociais de favorecer a mobilização e defendeu a atuação das forças de segurança. Enquanto fala em responder às reivindicações, o governo conserva as proibições e o aparato policial que empregou contra os atos anteriores.
O “alto risco” apontado pelo presidente é que estudantes e trabalhadores continuem agindo juntos. As prisões de 24/10 não impediram a convocação seguinte. O governo terá de enfrentar as reivindicações que levaram essas pessoas às ruas; multiplicar policiais não reduz o preço dos alimentos nem abre vagas nas universidades.





