A reunião desta segunda-feira (26) entre o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, e as organizações estudantis terminou sem acordo para encerrar os protestos. Os representantes dos secundaristas consideraram insuficientes as medidas anunciadas pelo governo. Clément Vieillot, do movimento Cachan 94, disse que receberam muito pouco diante do que reivindicam. Louis Letoublon, da organização Les Lycéens!, convocou os jovens para as manifestações de sábado (31) e para a jornada de 5 de novembro. Nathanaël Combary, do Renouveau lycéen, cobrou resultados nas escolas.
Emmanuel Macron prometera pela manhã atender às reivindicações dos estudantes com medidas de grande alcance. O encontro ocorreu após mais de um mês de protestos, com estudantes nas ruas ao lado de trabalhadores e coletes amarelos. O governo que até agora respondeu com prisões e proibições de passeatas tenta ganhar tempo com anúncios parcelados ao longo dos próximos anos.
Os estudantes exigem o fim do Parcoursup, plataforma que seleciona o ingresso no ensino superior. Lecornu ofereceu modificações neste ano e a troca do sistema em 2028. O Parcoursup continuará funcionando enquanto o governo prepara um substituto que ainda não apresentou. Vieillot manifestou desconfiança dessa substituição em duas etapas. Não há vitória alguma em obrigar a juventude a aceitar por mais dois anos o mecanismo contra o qual se mobilizou.
O governo anunciou também a abertura de 15 mil vagas no ensino superior: 10 mil em cursos técnicos superiores, quatro mil em institutos universitários de tecnologia e mil nas áreas de saúde. Letoublon apontou a falta de resposta para a ampliação das vagas universitárias. As organizações dos estudantes haviam apresentado dez reivindicações avaliadas em 10 bilhões de euros, incluindo 250 mil novas vagas e mudanças nas bolsas. A oferta de Lecornu fica muito abaixo da exigência e pretende desmobilizar as escolas, é absolutamente ridícula.
Para os prédios escolares e universitários, os ministros anunciaram um plano de cinco bilhões de euros. Um bilhão iria para as universidades; os outros quatro bilhões seriam emprestados pelo Estado às regiões para reformar colégios e liceus. Também prometeram suspender cortes de postos previstos, acrescentar 500 postos no próximo ano letivo e limitar a 28 o número de alunos por turma em determinada etapa do secundário até 2028. Os estudantes enfrentam agora salas lotadas, falta de professores e prédios deteriorados. Macron adia a redução das turmas e deixa às regiões a dívida das obras. Suas promessas não atingem a dimensão nem a urgência das reivindicações.
A pressão que arrancou essas concessões apareceu novamente nas ruas no sábado (24). O Ministério do Interior registrou 410 mil participantes; os sindicatos calcularam cerca de 800 mil. Segundo o balanço divulgado no domingo, 1.314 pessoas foram presas. O governo mobilizou 70 mil agentes, blindados, drones e soldados da Operação Sentinelle. Em Paris, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões d’água. Houve dispersões em Lyon e Marselha, além de proibições de manifestações em áreas centrais de diversas cidades. Foi depois dessa imposição de uma ditadura, com os estudantes com a faca no pescoço, que Lecornu recebeu os estudantes para falar de diálogo.
Macron já havia se reunido com representantes secundaristas na sexta-feira (23), sem atender às exigências de professores, melhores instalações e fim do Parcoursup. Nesta segunda, durante visita a Marselha, defendeu a manutenção das medidas policiais para o próximo ato. Chamou o sábado de dia perigoso, embora seja o seu governo que envia blindados e milhares de agentes contra as manifestações. As propostas apresentadas aos jovens não vieram acompanhadas do fim das proibições e da repressão.
Enquanto isso, a mobilização cresce fora das escolas. Trabalhadores protestam contra os baixos salários, a carestia e a deterioração dos serviços públicos. Os coletes amarelos chamaram panelaços para sexta-feira (30) diante da Assembleia Nacional e dos escritórios de parlamentares. No sábado, convocaram concentrações diante da Assembleia e das prefeituras. O sindicato de professores SUD Éducation confirmou participação; a Confederação Geral do Trabalho decidirá sua adesão durante a semana. Centrais sindicais preparam para 5 de novembro uma greve nacional contra o projeto de orçamento de 2027, com paralisação prevista também nas ferrovias.
Murielle Guilbert, dirigente da central Solidaires, afirmou que as reivindicações de estudantes, trabalhadores, bombeiros e outros grupos estão se juntando. É essa aproximação que o governo procura interromper. Macron combina concessões insuficientes com percursos impostos às passeatas, centros urbanos fechados e prisões. Os estudantes mantiveram os atos. No sábado, voltarão às ruas com os trabalhadores e os coletes amarelos.





