Palestina
“Israel” restringe a saída de mulheres com câncer enquanto hospitais estão em ruínas
Sem radioterapia em Gaza, pacientes aguardam autorização para tratamento fora do território; a espera já custou centenas de vidas
Depois de oito sessões de quimioterapia e da retirada de uma mama, Najat Abu al-Sheikh ainda não pode concluir o tratamento. A palestina de 46 anos precisa de radioterapia, indisponível na Faixa de Gaza. Inscrita desde abril para uma evacuação médica, continua à espera de uma autorização para sair.
O caso foi relatado por Najat ao Middle East Eye. Ela recebeu o diagnóstico de câncer de mama em janeiro e começou a quimioterapia semanas depois. Agora recebe terapia preventiva no hospital al-Shifa, em Gaza, mas os médicos já haviam indicado que a radioterapia deveria ter começado em fevereiro.
Segundo o Ministério da Saúde palestino, cerca de 11 mil pessoas com câncer enfrentam dificuldades para obter atendimento no território. A Organização Mundial da Saúde informou que 94% dos hospitais foram destruídos total ou parcialmente durante a ofensiva israelense. O único hospital especializado em câncer, o Hospital da Amizade Turco-Palestina, foi ocupado pelas forças israelenses e depois demolido.
A falta de medicamentos e equipamentos obriga médicos a adiar ou alterar os tratamentos. O diretor do Centro de Câncer de Gaza, Mohammed Abu Nada, disse que apenas três aparelhos de mamografia permanecem disponíveis, ante cerca de quinze antes da guerra. A radioterapia não está disponível.
As restrições impostas por “Israel” às saídas para atendimento médico prolongam essa situação. Um levantamento citado pela organização Médicos pelos Direitos Humanos–Israel aponta que ao menos 1.570 pacientes morreram enquanto aguardavam evacuação, entre eles 505 pessoas com câncer e 264 crianças. Para mulheres como Najat, cada mês de bloqueio significa mais risco de retorno da doença.





