Camila Pereira da Silva, de 32 anos, morreu em 15/10 após receber um tiro na cabeça durante uma abordagem da Polícia Militar em Pirituba, na zona norte de São Paulo. O soldado André Coelho Maximo da Costa, autor do disparo, foi preso em flagrante. Na tarde seguinte, uma audiência de custódia determinou sua soltura.
A defesa sustenta que Camila estava em surto, aproximou-se dos policiais com uma faca e que Maximo atirou quando já não podia recuar. O advogado Gilberto Quintanilha declarou que a “justiça foi restabelecida”. Seu colega Mauro Ribas chamou a prisão de ato de “cunho político e eleitoreiro”. A libertação do PM, porém, não estabelece se o tiro foi necessário: o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa ainda investiga a morte.
A Secretaria da Segurança Pública informou que a arma foi apreendida para perícia e que a Corregedoria da PM acompanhará o inquérito. Os advogados dizem que a câmera do uniforme do soldado estava ligada. É preciso confrontar a gravação com os depoimentos dos três agentes que atenderam à ocorrência, os vestígios recolhidos e as demais imagens disponíveis.
Em 03/10, Antonio Nunes Batista morreu na Vila Dionísia depois que PMs dispararam 24 vezes. Um vídeo mostra que os tiros começaram quando ele já estava caído. Em 10/10, Gustavo Munis de Santana foi morto em Moema com 27 tiros. Os três foram descritos como pessoas em aparente estado de surto. O DCO já havia chamado atenção para a distância entre a versão apresentada pelos policiais no caso de Antonio e o momento dos disparos registrado em vídeo.
A defesa de Maximo tenta transformar uma decisão sobre sua liberdade durante a investigação em absolvição antecipada. Camila está morta; o que ocorreu nos instantes anteriores ao tiro ainda precisa ser estabelecido. A sucessão de mortes em abordagens desse tipo mostra por que o DCO defende o fim da Polícia Militar e a segurança sob controle da população organizada.





