O primeiro-ministro de “Israel”, Benjamin Netaniahu, afirmou nesta terça-feira (20) que a derrubada do governo da República Islâmica continua sendo um objetivo de sua administração. O dirigente confirmou que conversou com o presidente norte-americano Donald Trump no domingo (18) sobre esse propósito, enquanto fontes ouvidas pelo jornal israelense The Jerusalem Post relataram discussões recentes em Washington sobre novos bombardeios contra o Irã.
Durante uma visita à Universidade de Quiriate Xemona-Tel Hai, Netaniahu declarou: “Estamos comprometidos em concluir a eliminação do regime iraniano”. Acrescentou que havia tratado do assunto com Trump muitas vezes, inclusive dois dias antes. A declaração foi divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro.
O dirigente israelense associou a queda do governo iraniano à destruição do Hesbolá no Líbano. Sua fala não se limitou à questão nuclear, utilizada durante anos como justificativa para ameaças e sanções. Netaniahu defendeu abertamente a troca de governo pela força.
Segundo fontes familiarizadas com as discussões citadas pelo Jerusalem Post, a administração Trump esteve muito próxima de autorizar um novo ataque em ao menos uma ocasião. Não há confirmação de que a operação tenha sido aprovada. Trump, por sua vez, declarou que os Estados Unidos não voltariam a bombardear o Irã antes de 3 de novembro. Autoridades iranianas disseram à Reuters que continuam esperando a retomada das agressões mais cedo ou mais tarde.
A derrubada da República Islâmica é uma ambição antiga do imperialismo norte-americano e do sionismo. Sanções, sabotagens e operações militares têm sido empregadas para enfraquecer um país que mantém relações com organizações de resistência na Palestina, no Líbano e em outras partes do Oriente Próximo.
A guerra iniciada em 2026, entretanto, não obrigou Teerã a se render. A reação iraniana elevou os custos militares e econômicos da ofensiva e atingiu especialmente o fornecimento de energia. As dificuldades de circulação do petróleo pelo Estreito de Ormuz repercutiram nos preços internacionais e levaram Washington e outros governos a recorrer a seus estoques de emergência.
É esse o problema enfrentado pelos patrocinadores de “Israel”: uma nova escalada poderá ampliar prejuízos que já atingem a economia norte-americana. A capacidade de lançar ataques não equivale à capacidade de obter a capitulação de um adversário que demonstrou condições de resistir.
Netaniahu insiste na guerra porque a existência de forças capazes de enfrentar o Exército israelense limita a liberdade de ação do sionismo na região. O desarmamento do Hesbolá e a tentativa de derrubar o governo iraniano fazem parte de uma mesma orientação. As declarações de terça-feira mostram que o Estado sionista pretende manter aberta a ofensiva, mesmo depois dos resultados alcançados pela resistência iraniana.




