A Internacional de Limeira formalizou na segunda-feira (19) a entrega de 80% da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) a um grupo de investidores que inclui os ex-jogadores Ronaldo e Roberto Carlos. A associação esportiva permaneceu com 20% da empresa, tornando-se sócia minoritária do negócio responsável pelo futebol do clube.
Também participam da operação o príncipe saudita Abdullah bin Saad bin Abdulaziz Al Saud e um empresário haitiano. O grupo é conduzido por Enrico Ambrogini, que trabalhou na gestão do Cruzeiro quando Ronaldo controlava a SAF da equipe mineira. A assinatura havia sido planejada para setembro, mas foi adiada por questões burocráticas.
O plano empresarial anuncia investimentos de até R$ 454 milhões ao longo de dez anos e estabelece como meta alcançar a primeira divisão nacional em até oito temporadas. Para os dois primeiros anos, a previsão é de até R$ 20 milhões, com recursos destinados ao futebol profissional, às categorias de base e às instalações do clube. Os R$ 454 milhões são uma projeção, não um pagamento integral efetuado na assinatura.
A Inter de Limeira chega ao negócio depois de conquistar o acesso à Série B de 2027, encerrando uma ausência de 35 anos na segunda divisão nacional. A ascensão esportiva, portanto, não foi obtida como resultado da administração dos novos proprietários. O grupo assume o controle de uma equipe que já havia alcançado um resultado importante.
Os nomes de Ronaldo e Roberto Carlos, campeões mundiais com a seleção brasileira em 2002, servem para promover o empreendimento entre os torcedores. A fama dos antigos jogadores, entretanto, não altera a mudança na estrutura do clube: as decisões decisivas sobre o futebol deixam de estar nas mãos da associação e passam para a maioria acionária privada.
As SAFs são apresentadas como solução para as dívidas e os problemas administrativos dos clubes. Mas a transformação em empresa não garante sucesso esportivo, nem impede crises financeiras. O Vasco, depois da venda de seu futebol ao grupo 777 Partners, enfrentou um conflito que mostrou os riscos de colocar o destino de uma associação histórica nas mãos de investidores.
O DCO se opõe a essa privatização porque ela retira dos associados e torcedores o controle sobre uma atividade construída ao longo de gerações. A Inter de Limeira foi formada pela vida esportiva de sua cidade; com a SAF, sua gestão passa a obedecer aos interesses de proprietários que buscam retorno para o capital aplicado.
O cumprimento das metas anunciadas será conhecido nas próximas temporadas. A mudança de poder, porém, já ocorreu: investidores privados comandam 80% da empresa, enquanto a instituição que deu origem ao clube ficou com a participação minoritária.





