Editorial

Nenhum voto aos assassinos de sem terra

A luta pela terra exige romper com a política de frente ampla do PT com os latifundiários, que recebem ministérios e candidaturas

O PT acusa quem não vota em Lula de ajudar a levar o fascismo ao poder. Mas os sem terra não precisam esperar o resultado da eleição para conhecer o terror dos latifundiários. O fascismo já vigora no campo: assassinatos, despejos, prisões e operações policiais terroristas contra famílias que lutam por um pedaço de terra. A frente ampla sequer diminuiu essa violência. Abrigou representantes da classe que a promove e agora exige que os trabalhadores votem nessa aliança para se proteger da extrema direita.

Em Rondônia, uma operação do Bope matou um camponês na Área Valdiro Chagas, em Machadinho d’Oeste, em 08/08/2025. O então comandante da PM, Régis Braguin, anunciou ter “neutralizado um terrorista da LCP”. A Associação Brasileira de Advogados do Povo denunciou disparos e voos rasantes de helicópteros que aterrorizavam as famílias. O governo apresentado como garantia contra o fascismo deu cobertura à ação fascista no campo.

A Liga dos Camponeses Pobres denuncia, em declaração de 19/10, que Braguin fez campanha eleitoral atirando contra um bloco com o nome da organização. O documento também denuncia as ameaças de Flávio Bolsonaro de acabar com a Liga e recorda os assassinatos de dirigentes e as prisões de militantes e advogados. Os latifundiários procuram destruir a organização dos camponeses para conservar suas propriedades. É esse poder que precisa ser enfrentado, inclusive quando seus representantes se sentam à mesa com Lula.

Carlos Fávaro, escolhido pelo presidente para o Ministério da Agricultura, foi presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso, a Aprosoja-MT. Um dirigente do latifúndio recebeu o comando da agricultura no atual governo petista. Sua presença no governo deu aos grandes proprietários acesso direto às decisões sobre crédito, produção e política agrícola. Fiel às administrações anteriores do PT, no atual governo a conciliação com o latifúndio começou pela entrega de um ministério a um de seus homens.

Seu sucessor, André de Paula, vem da velha direita. Iniciou a carreira no PDS, sucessor da Arena na sustentação da ditadura militar, passou pelo PFL e pelo DEM e chegou ao PSD. Foi secretário de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco. Lula manteve a Agricultura nas mãos de um político da direita representante dos latifundiários. Não se combate a reação entregando a seus quadros a direção do governo. A luta contra o fascismo apregoada pelo PT revela-se uma farsa ao se olhar para dentro do próprio governo do PT.

Em São Paulo, o PT pediu votos para Simone Tebet ao Senado. A latifundiária de Mato Grosso do Sul apresentou o PLS 494/2015 para impedir procedimentos de demarcação em terras atingidas por ocupações e conflitos. Retirado em 2018, o projeto mostra sua atuação contra a luta dos índios pela recuperação de seus territórios. Foi essa representante do latifúndio que a esquerda ajudou a promover como candidata da frente ampla. O voto do MST, dos sem terra e dos camponeses foi solicitado para fortalecer uma inimiga dos que lutam pela terra.

O abandono de qualquer tipo de reforma agrária completa esse quadro. Em março, o portal do MST reproduziu um levantamento da Repórter Brasil, baseado em dados do Incra: entre 2023 e 2025, o governo Lula desapropriou 13,3 mil hectares. Nos dois últimos anos do governo Michel Temer, em 2017 e 2018, foram 14,3 mil. Nesse instrumento da reforma agrária, os três primeiros anos do atual mandato ficaram abaixo de dois anos do governo do golpe e das reformas neoliberais!

A direção do Incra explicou que prioriza a compra de terras e considera a desapropriação o último recurso. O governo prefere negociar com os ladrões de terras, os latifundiários, a confrontá-los. Quem concentra a terra conserva o direito de fazer negócio com ela, enquanto as famílias acampadas continuam esperando. A reforma agrária fica subordinada à disposição dos parasitas de vender e aos recursos disponíveis para pagá-los. É uma política de preservação do latifúndio, incompatível com as necessidades dos sem terra.

A presença cada vez mais importante desses setores na frente ampla permite entender por que o governo Lula atua como adversário da luta pela terra. Não se trata de falta de informação sobre o sofrimento dos camponeses. Trata-se de uma aliança com seus inimigos. E uma reeleição sustentada por essa aliança tende a produzir um governo ainda mais direitista: os latifundiários cobrarão a manutenção dos privilégios e novas concessões. No campo, o preço da conciliação inclui deixar os trabalhadores expostos à pistolagem e à repressão policial.

A esquerda precisa combater os inimigos dos sem terra que estão na frente ampla e dar apoio integral à luta da LCP e dos demais movimentos dos oprimidos do campo contra os latifundiários. Isso exige defender os perseguidos, exigir a liberdade dos presos por lutar e mobilizar sindicatos e organizações populares contra os ataques aos acampamentos. A acusação de terrorismo serve para isolar os camponeses e preparar novas operações repressivas. Cada organização operária e popular deve assumir a defesa desses trabalhadores como parte de sua própria luta.

A organização das mobilizações de 2027 deve começar agora, independentemente de quem vencer a eleição. Sindicatos, movimentos de moradia urbana, organizações estudantis, negras e de mulheres precisam reunir suas bases e preparar ações conjuntas de denúncia dos crimes do latifúndio e propaganda da revolução agrária, com expropriação do latifúndio sem indenização, e pela entrega da terra a quem nela trabalha. Um movimento combativo pela revolução agrária deve unir os trabalhadores da cidade e do campo, com independência para enfrentar os proprietários, seus partidos e o governo que os proteger.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.