Bafel Talabani, dirigente da União Patriótica do Curdistão no Iraque, anunciou uma proposta de negociações entre o Irã e organizações curdas iranianas que mantêm bases em território iraquiano. Segundo ele, a ideia foi discutida com autoridades em Teerã. Os possíveis participantes, contudo, afirmaram ao Middle East Eye que não foram procurados.
Talabani esteve no Irã em setembro e reuniu-se com o chanceler Abbas Araghchi. O comunicado iraniano sobre o encontro falou da segurança da fronteira, sem anunciar um processo de paz. Fariba Mohammadi, dirigente do Komala, disse que seu partido não recebeu proposta iraniana nem contato por intermédio de terceiros. Um integrante do Partido da Liberdade do Curdistão deu resposta semelhante.
Teerã atacou posições de organizações curdas no norte do Iraque e acusa grupos armados ali instalados de ameaçar sua segurança. Em 2023, Irã e Iraque firmaram um acordo para afastá-los da fronteira. As disputas voltaram a ganhar força durante a guerra contra a República Islâmica, quando os Estados Unidos procuraram grupos curdos que pudessem atuar contra ela.
As organizações curdas não têm uma posição uniforme sobre essa guerra. O DCO já registrou que o Komala rejeita lutar pelos interesses dos Estados Unidos e de “Israel”, enquanto outras correntes defendem caminhos distintos. Tratar todos esses grupos como uma única força esconderia divergências que pesam diretamente sobre qualquer negociação.
Talabani apresentou uma iniciativa diplomática. Ainda faltam uma proposta formal, a resposta de Teerã e o contato com os partidos que teriam de se sentar à mesa. Até agora, estes últimos souberam do suposto processo por declarações públicas.





