Em sete dias, policiais militares de São Paulo mataram dois homens com um total de 51 disparos. Ao comentar os casos nesta quinta-feira (15/10), o secretário estadual de Segurança Pública, Osvaldo Nico, disse que “na hora de parar talvez seja mais difícil do que na hora de atirar”. Ele falava após uma cerimônia pelos 56 anos da Rota.
Antonio Nunes Batista foi morto com 24 tiros em 3/10, na Brasilândia. As informações recebidas pela Ouvidoria da Polícia dizem que ele teria avançado contra os agentes com uma faca. Em 10/10, Gustavo Munis de Santana recebeu 27 tiros numa abordagem em Moema. Nesse caso, os policiais teriam confundido o celular do rapaz com uma arma de fogo.
A Ouvidoria acionou a Corregedoria da PM e o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa. Os laudos, vídeos e depoimentos terão de esclarecer a sequência de cada ocorrência. A versão apresentada pelos agentes não encerra a apuração, principalmente quando a quantidade de disparos chega a 24 numa ação e 27 na outra.
Nico afirmou que existe um protocolo e prometeu respeitar o resultado da investigação. Mas sua explicação sobre a dificuldade de interromper os tiros veio antes de qualquer conclusão sobre a conduta dos policiais. O secretário dirige a política de segurança que coloca essas equipes nas ruas; sua declaração tem o peso de uma orientação política, ainda que ele diga que os fatos serão examinados.
O PCO defende o fim da Polícia Militar e a organização da autodefesa dos trabalhadores nos bairros. A reivindicação parte de uma experiência acumulada de mortes provocadas por uma força armada que atua contra a população. Em São Paulo, duas famílias agora aguardam que se estabeleça por que Antonio e Gustavo foram atingidos dezenas de vezes.





