O Brasil tinha 24,7 milhões de eleitores de 16 a 24 anos em 2010. Em 2026, são 19,2 milhões, segundo levantamento do Instituto Nexus citado pela BBC News Brasil. A queda de 5,5 milhões ocorreu enquanto o eleitorado total do País crescia. A participação dos jovens no cadastro passou de 18,2% para 12,5%.
O envelhecimento da população responde por uma parte da diferença. O Censo do IBGE registrou menos brasileiros nessa faixa etária em 2022 do que em 2010. Mesmo assim, a redução proporcional de jovens no eleitorado foi maior que sua perda de participação na população. A mudança demográfica não basta para explicar o cadastro eleitoral.
Os dados de comparecimento impedem outra simplificação. Entre eleitores de 16 e 17 anos já inscritos, cujo voto é facultativo, a presença nas eleições gerais ficou relativamente estável entre 2014 e 2022. Na faixa de 18 a 24 anos, submetida ao voto obrigatório, houve recuo. Uma coisa é deixar de comparecer tendo título; outra é não chegar a entrar no cadastro. A reportagem reúne indícios dos dois problemas.
Pesquisas citadas pela BBC apontam também baixa confiança dos jovens nos partidos. Não é difícil compreender o desgaste. Campanhas cobram participação a cada dois anos, mas a eleição pouco altera as dificuldades de conseguir trabalho, estudar e ter uma perspectiva de vida. Tomar essa desconfiança por incapacidade política da juventude seria um erro: há atividade e interesse fora das estruturas eleitorais.
A reportagem deu atenção ao desempenho de Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre. Em duas pesquisas de setembro, ele tinha 3% das intenções de voto no eleitorado geral e chegava a 6% ou 8% nos recortes jovens. Crescia proporcionalmente, mas permanecia muito atrás de Lula e Flávio Bolsonaro. Aos 42 anos, tenta aparecer como novidade depois de participar, pelo MBL, da ofensiva que abriu caminho ao impeachment de Dilma Rousseff.
A diminuição do eleitorado jovem não será enfrentada apenas com propaganda para tirar o título. Organizar os jovens em torno de suas próprias reivindicações políticas e materiais exige trabalho contínuo. Os partidos que só se aproximam deles para pedir votos contribuem para a distância que as pesquisas agora registram.





