O Partido da Causa Operária decidiu coletivamente pelo voto nulo no segundo turno de 2026. A decisão segue o mesmo princípio que orientou o apoio a Lula em 2018, até sua exclusão da disputa, e em 2022: a independência política dos trabalhadores. O apoio anterior correspondia à luta popular contra o golpe. Não era um compromisso permanente com Lula, muito menos com os governos e as alianças do PT.
Um partido operário participa das eleições para divulgar seu programa e organizar os trabalhadores como força política independente. Sua orientação de voto deve contribuir para essa organização. Se, a cada segundo turno, estiver obrigado a escolher um representante dos capitalistas, acabará subordinando a classe operária aos interesses que deveria combater.
De 2002 a 2018, o PCO votou nulo no segundo turno diante das candidaturas de Lula, Dilma Rousseff e Fernando Haddad. A presença de um candidato do PT contra a direita não bastava para justificar o apoio. Era preciso examinar sua relação com os trabalhadores e a situação em que se apresentava. Lula, em 2018, representava uma reação das massas à ofensiva golpista que nenhuma dessas candidaturas expressava.
A derrubada de Dilma, em 2016, provocou uma oposição popular crescente. As manifestações contra o golpe e o governo Michel Temer, contra a prisão de Lula e por sua liberdade reuniam trabalhadores dispostos a enfrentar os ataques da burguesia. A candidatura do ex-presidente era a representação eleitoral desse movimento.
Defender sua participação na eleição significava enfrentar as instituições que procuravam impedir os trabalhadores de eleger o candidato com quem se identificavam. O apoio do Partido acompanhava essa luta. As divergências com o programa petista e a política de conciliação de Lula continuavam, mas não anulavam a importância de uma mobilização popular contra a direita golpista.
O PT capitulou ao aceitar a exclusão de Lula e substituí-lo por Haddad. A troca interrompia o enfrentamento com os responsáveis pela perseguição. Haddad não tinha os mesmos vínculos com as massas, não era perseguido como Lula e não representava a resistência que se desenvolvera em sua defesa. Aceitar a substituição significava disputar a eleição nas condições impostas pelos golpistas.
A vitória de Bolsonaro em 2018 resultou dessa fraude eleitoral. O STF e as demais instituições sustentaram a prisão ilegal de Lula e sua retirada da disputa, impedindo a participação do candidato mais popular do País. Colocar Haddad em seu lugar não reparava a violência contra os direitos políticos da população.
O governo Bolsonaro deu continuidade à crise e aos ataques contra os trabalhadores. Logo nos primeiros meses, cresceu a tendência à mobilização pelo Fora Bolsonaro. A burguesia procurou sabotá-la introduzindo no movimento a direita dita “democrática”. Políticos que participaram do golpe passaram a ser apresentados como aliados indispensáveis da esquerda. A frente ampla nasceu dessa tentativa de controlar a oposição popular.
A pandemia de COVID-19 dificultou a organização dos trabalhadores, enquanto os acordos com a direita continham a luta contra o governo. Apesar disso, a disposição de reagir persistiu. Em 2022, a candidatura de Lula voltou a reunir as expectativas de derrotar os golpistas e reverter seus ataques. O apoio do PCO correspondia a essa tendência de mobilização, mantendo o combate à aliança com Geraldo Alckmin e os demais representantes burgueses.
Em 2026, Lula chega à eleição como chefe do governo da frente ampla. Durante seu terceiro mandato, os acordos com a burguesia determinaram a política governamental: restrições aos gastos sociais pelo arcabouço fiscal, submissão aos bancos e aliança com setores do STF, acompanhada da defesa da censura e da repressão aos adversários. Sua candidatura reúne o petismo e a direita tradicional para manter essa política e não expressa nenhum movimento popular de oposição à burguesia e a seu regime.
Votar em Lula agora significaria chamar os trabalhadores a sustentar esse bloco no poder. O voto de 2022 não obriga ninguém a aprovar o que seu governo fez desde então. A decisão pelo voto nulo preserva a liberdade de combater os dois setores burgueses em disputa e de organizar a classe operária para enfrentar o próximo governo com seu próprio programa.





