O Tribunal Superior do Trabalho, no último dia 29 de setembro, determinou o encerramento da greve dos bancários da Caixa Econômica Federal e impôs mais um ataque às condições de vida da categoria e, logicamente, beneficiando os banqueiros. Medida essa que foi acatada, caninamente, pelas direções sindicais.
Segundo a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) a sua atuação,deles, em relação à defesa dos trabalhadores, junto a tribunal, foi “robusta”, que ela “foi decisiva para reduzir parte das perdas que poderiam ser impostas, nesta terça-feira (29), às empregadas e aos empregados depois que as negociações terminaram sem acordo”. (Site Contra/CUT 29/09/2026)
O que a burocracia sindical chama de “defesa robusta” para reduzir parte das perdas, é que o tribunal não julgou a greve abusiva, que os bancários terão o direito ao super reajuste nos salários e na PLR de 0,6%, a compensação dos dias parados em até 180 dias e, em relação ao Plano de Saúde, reivindicação mais importante, o estopim da greve, ficou como os patrões queriam e sacramentado pelos deuses do Olímpio do TST.
Ou seja, o teto de participação da Caixa permanece em 6,5%, dos titulares de 3,5%, teto familiar de 7%, coparticipação geral de 30%, valores fixos por dependentes R$ 332,15 reajustado em 4,6%(INPC+0,6%); taxa de pronto socorro de R$75 por visita também reajustado pelo INPC+0,6%; teto de coparticipação anual de R$ 4.475,32 por ano também reajustado.
O nível de mobilização dos trabalhadores da Caixa foi muito expressiva para o nível de paralisia a que a burocracia sindical colocou o movimento dos bancários por conta da sua política de total colaboração com os patrões e de total servilismo ao reacionário TST. Chegam ao ponto, e tudo indica que estão à beira da loucura (é muito loucura), quando elogiam copiosamente o ministro relator do processo.
Que o ministro “enfatizou a tradição de negociação dos bancários; que “a categoria tem uma tradição de negociação coletiva que deve ser elogiada por todos nós”, coisa do gênero para, no final das contas, esse mesmo ministro, enfiar a faca nas costas dos bancários.
Lembrando que essa mesma burocracia sindical tentou de todas as formas evitar a greve. Depois que a categoria passou por cima da tentativa das direções sindicais em aceitar o acordo, foram obrigados a reconhecer a força do movimento – como forma de buscar derrota-la – “a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) demonstra a importância e a força da Convenção Coletiva de Trabalho(CCT) da categoria bancária, fruto de uma construção histórica do movimento sindical e da negociação coletiva entre bancos públicos e privados”, palavras da presidenta do Sindicatos dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro (spbancarios 29/09/2026)
A ale “esquerda”da burocracia, como é o caso da CSP/Conlutas (que se apresenta como oposição à Contraf/CUT), chegou a “lamentar (estamos em prantos, grifo nosso), mais uma vez, que a negociação com a Caixa tenha sido levada ao dissídio no TST…” que “mesmo diante de tantos ataques, tentativas de silenciamento e pressões, os trabalhadores permaneceram firmes, demonstrando que a mobilização e a resistência continuam sendo instrumentos fundamentais para fazer valer seus direitos”. (seebbauru.org.br 29/09/2026) blá, blá, blá…
Mas aí cabe a pergunta: que força é essa cara pálida em que os trabalhadores só saem perdendo!?
Apesar de toda operação para evitar uma verdadeira mobilização da categoria (os burocratas evitaram piquetes criando em quase todos os sindicatos, “comissões de esclarecimentos”, que permitiam o funcionamento dos caixas eletrônicos, a entrada de gerentes, chefes e quem mais quisesse etc.), a greve se arrastou por 21 dias e obrigou os banqueiros a elevar um pouco a proposta inicial, proposta essa liquidada nas mesas dos tribunais e, como já dito acima, aceita servilmente pelas direções do movimento.
A greve mostrou, mais uma vez, que o problema não é a falta de disposição dos bancários para se mobilizar, nem as condições políticas(uma vez que crise no judiciário -STF- e do regime político cria um clima favorável à luta dos trabalhadores e em particular à luta contra os banqueiros sanguessugas), mas justamente, principalmente e primeiramente a política de colaboração das direções sindicais (incluindo a tal “oposição” que apenas “radicaliza” com a mesma política da maioria da burocracia.
Fazer um profundo balanço desta luta e tirar dela todas as lições, será um passo importante para superar os limites atuais na próxima etapa.





