A participação eleitoral do Partido da Causa Operária (PCO) deveria servir principalmente para apresentar um programa aos trabalhadores e fortalecer sua organização política.
Em fevereiro, a 38ª Conferência Nacional do Partido aprovou a pré-candidatura de Rui Costa Pimenta à Presidência e indicou Antônio Carlos Silva como vice, demonstrou que dirigentes e militantes tratam a eleição como um terreno para apresentar o programa do Partido, e não como um meio de produzir transformações fundamentais simplesmente pela ocupação das instituições existentes.
A mesma linha foi explicitada pelo próprio Rui durante o lançamento nacional da candidatura, em agosto. Ele afirmou que a campanha deveria a ilusão eleitoral e ser utilizada para desenvolver uma mobilização política dos trabalhadores. A eleição é uma tribuna para organizar a luta política, e não uma substituição para ela.
Essa é uma das diferenças que o PCO procura destacar ao explicar sua posição eleitoral. O PCO não é um partido que modifica seu programa de acordo com pesquisas de opinião, alianças eleitorais ou possibilidades imediatas de vitória. As eleições deveriam servir para defender um programa político definido, mesmo que isso significasse rejeitar temas escolhidos apenas porque seriam eleitoralmente populares.
O próprio registro das candidaturas reforça uma característica dessa estratégia. O PCO concorreu em 2026 sem integrar coligação ou federação na disputa presidencial.
O Partido estabelece como uma das primeiras propostas a reposição integral das perdas salariais e um aumento emergencial de 50% dos salários, acompanhado da defesa de um salário mínimo em pelo menos R$ 7.500. Também defende a redução da jornada para sete horas diárias em cinco dias por semana, sem redução de salário, e a proibição das demissões.
Na economia, o PCO defende ainda a anulação das dívidas dos trabalhadores, a estatização do sistema financeiro, imposto sobre grandes fortunas e reversão das privatizações. A Petrobrás aparece de maneira destacada nesse programa: o Partido propõe que a empresa permaneça integralmente estatal e associa essa política à redução dos preços dos combustíveis.
Os interesses imediatos dos trabalhadores — salário, jornada, emprego, serviços públicos e organização sindical — devem ocupar o centro da atividade eleitoral de um partido de trabalhadores. O PCO procura, dessa maneira, apresentar sua campanha como extensão de reivindicações que defende fora dos períodos eleitorais.
Outro eixo central é a questão dos direitos democráticos.
Este Diário vem dedicando grande espaço à atuação criminosa do Supremo Tribunal Federal, do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça Eleitoral. O PCO transformou a crítica ao funcionamento dessas instituições em um dos principais temas de sua campanha. O Partido denuncia a censura e a ditadura do Judiciário.
Rui Costa Pimenta também associa esse tema aos processos enfrentados pelo próprio PCO. Em entrevista reproduzida pelo DCO em julho, ele afirmou que o Partido havia sido alvo de 12 processos, dois deles posteriormente arquivados, e relacionou boa parte dessas ações às posições assumidas pelo Partido sobre a Palestina e o sionismo.
O PCO também coloca em seu programa a defesa de povos e governos que considera atacados pelo imperialismo, citando explicitamente Palestina, Irã e Cuba. A defesa da causa palestina ocupa lugar especialmente destacado na atividade do Partido.
ropaganda política e de organização, sem apresentar a chegada aos cargos eletivos como solução suficiente para os problemas sociais.
E chega à posição internacional do Partido, especialmente sua oposição à política externa dos Estados Unidos e sua defesa da Palestina, além de Cuba e Irã.
É esse conjunto de posições — e não apenas a biografia de um candidato ou o desempenho esperado nas urnas — que constitui o motivo pelo qual o Diário Causa Operária apoia a campanha eleitoral do PCO em 2026.





