Eleições 2026

Votar no ‘menos pior’ é garantir que o pior aconteça

Pressão contra candidaturas independentes contribui para a despolitização dos trabalhadores brasileiros

lula

A poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, a esquerda pequeno-burguesa leva o seguinte questionamento: seria necessário abandonar uma candidatura própria para votar naquele candidato considerado o “menos pior” diante da possibilidade de vitória da direita?

Em entrevista ao canal Galo Preto, na terça-feira (29), o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) rejeitou essa maneira de apresentar o problema. Segundo Rui, uma organização política pode decidir apoiar um candidato de outro partido, inclusive em circunstâncias excepcionais, mas isso deveria ocorrer em função de objetivos políticos concretos e não pela fórmula genérica de escolher sempre o adversário considerado menos prejudicial.

“Esse negócio de votar no menos pior é uma política sem sentido. Você tem que votar por algum motivo, por algum objetivo. Senão é um voto meio que um voto da desesperança”, afirmou.

Depois de lançar candidatos próprios à Presidência até 2014, o PCO apoiou Lula em 2018 e voltou a defender seu voto em 2022. Em outubro de 2024, a 37ª Conferência Nacional do Partido decidiu retomar a candidatura presidencial própria e aprovou o lançamento de Rui para 2026.

Foi justamente essa mudança que Rui procurou explicar no Galo Preto.

“Quando a gente apoiou o Lula na eleição passada, não era por ele ser o menos pior. Nós tínhamos toda uma política elaborada em torno do voto no Lula. Nós achávamos, por exemplo, que era importante para superar o golpe de Estado de 2016.”

O apoio de 2022 não decorria simplesmente da comparação entre Jair Bolsonaro e Lula. Aquela eleição era uma continuação da crise aberta pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016, pela prisão de Lula em 2018 e pelo impedimento de sua candidatura presidencial naquele mesmo ano.

O PCO defendia que o apoio a Lula era uma situação excepcional. Lula mantinha uma relação histórica com o movimento operário e com a CUT e concentrava naquele momento as expectativas de uma parcela importante dos trabalhadores. O PCO, ao mesmo tempo, recusou-se a apoiar Geraldo Alckmin e não integrou formalmente a coligação petista.

Em uma análise publicada durante o segundo turno daquele ano, Rui já atacava a fórmula do “mal menor”. O dirigente argumentava que uma aplicação automática desse raciocínio poderia levar partidos da esquerda a apoiar qualquer político burguês que aparecesse eleitoralmente diante de um candidato considerado pior. Na mesma intervenção, entretanto, defendia o voto em Lula porque considerava existir uma razão política específica para fazê-lo.

A distinção reapareceu quase quatro anos depois na entrevista ao Galo Preto. Para Rui, afirmar que dois candidatos são diferentes entre si não obriga automaticamente uma organização a apoiar um deles. O problema seria determinar o que determinada posição eleitoral significa para a luta política concreta.

Foi nesse sentido que respondeu a um espectador que afirmou ser impossível deixar de escolher o “menos pior”. Rui concordou que diferentes candidaturas podem representar situações distintas, mas rejeitou que isso, por si só, pudesse servir como política.

O dirigente utilizou o apoio dado a Lula em 2022 justamente como exemplo. Na avaliação do PCO naquele período, derrotar Bolsonaro eleitoralmente estava relacionado a uma luta anterior contra o processo político iniciado em 2016 e contra a prisão de Lula. O Partido sustentava, portanto, que seu voto tinha um conteúdo político positivo que ia além de dizer simplesmente que Lula seria “menos ruim”.

No Galo Preto, Rui afirmou que as condições que determinaram aquela posição teriam mudado.

“Eu acho que, de uma maneira meio confusa, isso se realizou. Nós estamos numa outra etapa agora”, disse.

O portal eleitoral do Partido apresenta a candidatura presidencial como parte de uma estratégia de utilização das eleições para divulgar um programa próprio. Entre as propostas defendidas pelo PCO estão aumento dos salários, redução da jornada, estatização do sistema financeiro, reversão das privatizações e mudanças no funcionamento do Judiciário.

É justamente essa independência programática que Rui contrapõe à política do chamado voto útil.

Durante a entrevista, ele criticou a pressão para que eleitores de partidos menores de esquerda abandonassem suas candidaturas já no primeiro turno. Segundo Rui, o debate deveria começar pelo programa e pelo objetivo político do voto, e não pelo medo de determinado adversário.

A discussão não significa, segundo ele, negar diferenças entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em outro momento da conversa, Rui afirmou explicitamente que considera os dois fenômenos distintos. Sua objeção é transformar essa diferença numa regra política automática que obrigaria toda a esquerda a se alinhar previamente com o PT.

A crítica tem antecedentes na própria história apresentada pelo PCO. Em 2022, Rui recuperou como exemplo a eleição paulista de 1982. Naquele momento, Lula disputou o governo de São Paulo pelo recém-criado PT, enquanto setores da esquerda defendiam apoio a Franco Montoro, do PMDB, como alternativa a forças ligadas ao regime militar.

Segundo o argumento usado por Rui, se a regra do “menos pior” tivesse sido aplicada de maneira absoluta, Lula deveria ter retirado sua candidatura em favor de Montoro. O resultado teria sido justamente enfraquecer a construção independente do PT e de uma representação política vinculada ao movimento operário que se desenvolvia naquele período.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.