Maria Bona, candidata do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo da Bahia, aparece em terceiro lugar na mais recente pesquisa Quaest, divulgada na quinta-feira (24).
Ela marcou 1% das intenções de voto, ficando atrás apenas de ACM Neto (União Brasil), com 42%, e Jerônimo Rodrigues (PT), com 40%. Ronaldo Mansur (PSOL), Ariel Capistrano (DC) e Aroldo Felix (UP) não pontuaram.
A pesquisa ouviu 900 eleitores entre os dias 20 e 23 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
O resultado ganha importância quando se considera a enorme desigualdade existente entre as campanhas. O PCO está entre os partidos que receberam apenas a cota mínima do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. São R$ 3,3 milhões para a campanha nacional inteira da organização. O PL dispõe de mais de R$ 881 milhões, enquanto partidos como PT, PSD, PP e MDB receberam centenas de milhões de reais.
Além da diferença de dinheiro, o Partido enfrenta uma exposição muito menor no rádio, na televisão e na grande imprensa. Suas candidaturas ficam de fora de diversos debates, enquanto os grandes partidos contam diariamente com espaço nos principais veículos do País.
A própria Quaest, que agora registra Bona com 1%, chegou a realizar levantamentos sem apresentar os candidatos do PCO aos entrevistados. Em julho, o Diário Causa Operária denunciou que o instituto havia deixado de incluir os pré-candidatos do Partido à Presidência e aos governos de seis estados, entre eles a Bahia.
Quando Bona começou a aparecer nos levantamentos da empresa, porém, não ficou restrita a um resultado isolado. Na pesquisa Quaest divulgada em 27 de agosto, ela já havia marcado 1%. Naquela rodada, ACM Neto tinha 39%, Jerônimo Rodrigues, 37%, e Bona aparecia empatada com Ronaldo Mansur, Ariel Capistrano e Aroldo Felix, todos também com 1%.
Quase um mês depois, Bona manteve seu percentual. Os outros três candidatos, por sua vez, não pontuaram na nova rodada. É por isso que, no levantamento mais recente, a candidata do PCO aparece sozinha na terceira posição numérica.
O percentual é pequeno, mas deve ser observado à luz do tamanho e dos recursos do Partido e da sabotagem que ele sofre do TSE, da imprensa burguesa e dos próprios institutos de pesquisa da burguesia.
Com uma campanha nacional financiada por uma fração do dinheiro colocado à disposição das grandes legendas, pouca presença nos grandes meios de comunicação e dificuldades de participação em debates, o PCO consegue aparecer nas pesquisas realizadas nos dois maiores colégios eleitorais do País.
Em São Paulo, Izadora Dias também marcou 1% na pesquisa Quaest divulgada no dia 23. Tarcísio de Freitas apareceu com 44% e Fernando Haddad com 27%. Izadora ficou no grupo seguinte, ao lado de Policial Edjane, Carlos Machado e Vera Lúcia, todos com 1%. Vivian Mendes não pontuou.
Izadora vem repetindo esse resultado. Na Quaest do começo de setembro, também estava com 1%, assim como já havia ocorrido em levantamento anterior do instituto. O dado mostra que candidaturas do PCO conseguem registrar intenção de voto mesmo nadando contra a corrente. O diretório estadual do Partido em São Paulo, por exemplo, está sendo perseguido pelo TRE-SP e todas as candidaturas do PCO no estado correm o risco de serem indeferidas.
No caso da Bahia, Bona ainda possui uma particularidade: é a única mulher entre os candidatos ao governo estadual. Aos 73 anos, Maria Bona Carrara de Sumbuy nasceu em São Paulo, mas vive na Bahia há cerca de 50 anos. É aposentada, possui ensino superior completo e disputa sua primeira eleição.
A candidata trabalhou durante décadas como professora de idiomas. Segundo a apresentação do PCO, exerce o ensino de línguas há aproximadamente 40 anos e ingressou no Partido em janeiro de 2026. Também participa do movimento de defesa da Palestina no Brasil.
Antes de entrar na disputa eleitoral, Bona já tinha atuação política e participação em movimentos sociais na região de Rio das Contas, na Chapada Diamantina. Durante a campanha, tem apresentado o programa do PCO para áreas como educação e segurança pública. Entre as propostas divulgadas pelo Partido estão o aumento das verbas para o ensino público, piso nacional de pelo menos R$ 8,5 mil para os professores, jornada máxima de 35 horas semanais e o fim da Polícia Militar.
A chapa do PCO ao governo da Bahia tem Zé Ricardo como candidato a vice. Para o Senado, o Partido apresenta Marcelo Millet, com Silvano Alves e Maria do Carmo como suplentes.




