PCO nas eleições

Um ato vermelho, operário e militante

Marcha nacional do PCO reuniu mais de 2 mil pessoas em São Paulo, com operários, jovens, índios e militantes de movimentos populares de várias regiões do País

O ato nacional Rui Presidente, realizado no domingo (27), em São Paulo, reuniu mais de 2 mil pessoas e colocou nas ruas uma característica que o Partido da Causa Operária procurou destacar durante toda a campanha eleitoral: a participação direta de trabalhadores, jovens, índios e militantes dos movimentos populares. A concentração começou na Praça Oswaldo Cruz e seguiu pela Rua Treze de Maio até o Teatro Sérgio Cardoso, no Bixiga, com delegações vindas de diversos estados.

O que se viu no ato correspondia à composição das próprias candidaturas apresentadas pelo Partido. Entre os oradores estava Bruno Pedreiro, trabalhador da construção civil e candidato ao governo de Santa Catarina. Adriano Funileiro, operário metalúrgico e candidato do Partido ao governo do Paraná. Luiz Eugênio Honorato, candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, antigo participante das greves da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, contra a privatização da empresa durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Também participaram trabalhadores e dirigentes sindicais de outras regiões, entre eles Antônio Carlos Silva, professor e dirigente da APEOESP, candidato a vice-presidente.

Essa composição expressa uma grande diferença em relação aos partidos que concentram suas candidaturas em políticos profissionais, empresários e integrantes permanentes do aparelho estatal. A fórmula repetida durante a manifestação — “trabalhador vota em trabalhador” — tinha como objetivo expressar justamente isso: para o Partido, os trabalhadores não deveriam aparecer nas eleições apenas como público para quem se pede voto, mas também como candidatos e organizadores políticos.

Izadora Dias, candidata ao governo de São Paulo, tratou do assunto ao mencionar Bruno Pedreiro. Durante a campanha em Santa Catarina, o candidato havia aparecido trabalhando na construção de uma casa, fato usado por adversários para ridicularizá-lo. Izadora respondeu:

“Ué, a agenda do candidato do PCO é a agenda de um trabalhador. E as pessoas não aceitaram essa ridicularização. Eles comentaram: ‘não, isso que é o partido de verdade, não é um engomadinho que fica aí fazendo discurso do vazio. Esse é o partido dos trabalhadores’.”

A imagem de um candidato que continua trabalhando durante a eleição resume uma parte da campanha feita pelo PCO. Seus candidatos participam diretamente das panfletagens, da organização das atividades e do trabalho político nas ruas, em vez de limitar a campanha a aparições públicas organizadas por equipes profissionais. A mesma política é apresentada nacionalmente, com materiais padronizados e um programa comum às candidaturas dos diversos estados.

Uma das delegações que mais se destacou no domingo veio do Mato Grosso do Sul. O índio terena Ramão Popular Lama, candidato a deputado federal e morador da aldeia de Dourados, informou que três caravanas haviam saído das aldeias indígenas para participar da manifestação em São Paulo. O DCO também registrou a chegada dos guarani-caiuá em três caravanas.

Os participantes da delegação levaram para São Paulo as reivindicações pelas terras ocupadas pelo latifúndio, pela água e contra a repressão policial nas aldeias e retomadas. Não estavam apenas acompanhando uma candidatura. No Mato Grosso do Sul, o PCO lançou índios aos próprios cargos eletivos e organizou parte de sua campanha em torno das lutas conduzidas pelas comunidades.

Ramão explicou durante a concentração:

“A gente trouxe três caravanas das aldeias do Mato Grosso do Sul. Eu sou da aldeia de Dourados, Mato Grosso do Sul. […] Por que eu estou aqui? Para representar o meu povo […] Todo ano, de 4 em 4 anos, cada vez que tem uma eleição, é outra mentira nova.”

Essa presença foi reforçada no encerramento por Helena, liderança guarani-caiuá e militante do Partido, que denunciou a demora na demarcação das terras e relatou as dificuldades enfrentadas pelas comunidades do Mato Grosso do Sul. O caso dos índios é um exemplo particularmente nítido da política reivindicada pelo PCO: transformar pessoas diretamente envolvidas nas lutas sociais em militantes e candidatos, para que eles mesmos apresentem suas propostas e chamem seus irmãos para a luta, em vez de falar em seu nome por meio de políticos profissionais carreiristas e demagogos.

O mesmo vale para a juventude. Havia muitos jovens entre os manifestantes, na bateria, na organização e entre as candidaturas. Izadora destacou em seu discurso que mulheres e jovens não deveriam funcionar como elementos decorativos de campanha. Segundo ela, esses setores participam da militância e da direção do Partido:

“Aqui, esses setores, eles não são figurantes. As mulheres não são um enfeite no Partido da Causa Operária. As mulheres estão atuando ativamente, estão na direção, assim como a juventude.”

Essa presença também aparece nas chapas estaduais, com candidatos jovens disputando inclusive governos estaduais, como Izadora Dias, em São Paulo, Luan Monteiro, no Rio de Janeiro, e Victor Assis, em Pernambuco. Isso é consequência de uma militância formada nas atividades estudantis, sindicais e populares, e não de uma política destinada simplesmente a renovar a aparência das chapas eleitorais.

A manifestação chamou atenção também pelo aspecto visual. A Praça Oswaldo Cruz e a Rua Treze de Maio ficaram tomada por bandeiras, camisetas e grandes faixas vermelhas. A bateria Zumbi dos Palmares acompanhou a caminhada, enquanto apareciam faixas do Coletivo Terra Vermelha e bandeiras da Palestina, do Irã e de Cuba. As delegações que vieram do Amazonas ao Rio Grande do Sul traziam consigo vestimentas e acessórios vermelhos, a cor da revolução proletária.

Rui Costa Pimenta chamou atenção para o vermelho logo no início de seu discurso:

“É uma satisfação muito grande ver o ato que nós estamos realizando aqui, esse monte de camiseta vermelha, de bandeira vermelha, de faixa vermelha. Porque o único partido vermelho dessa eleição chama-se Partido da Causa Operária. O vermelho não é um enfeite, o vermelho é uma tradição da luta do movimento operário internacional, da luta dos trabalhadores em todos os países contra o capital, contra a burguesia.”

Para o PCO, a cor procurava marcar uma definição programática. A direção partidária contrapõe essa identidade aos atos eleitorais organizados por alianças amplas, nas quais as referências tradicionais da esquerda são frequentemente secundárias diante da tentativa de reunir candidatos e partidos de orientações distintas. Isso foi visto quando da primeira tentativa de frente ampla, no início do governo Bolsonaro, para infiltrar o PSDB e outros setores da direita nos atos populares por Fora Bolsonaro ao se fazer amplo uso das cores verde e amarela, descaracterizando os atos. Além disso, a infiltração identitária das ONGs imperialistas faz com que os atos da esquerda pequeno-burguesa tenham mais bandeiras LGBT e afins do que bandeiras vermelhas, quase extintas.

Mas a diferença que o Partido estabelece não é somente estética. Durante a manifestação, os oradores defenderam salário mínimo de R$ 8 mil, estatização dos bancos, não pagamento da dívida pública, recuperação das empresas privatizadas, luta pelas terras dos índios, dissolução da Polícia Militar e apoio à resistência palestina. Rui também defendeu que as empresas estatizadas sejam colocadas sob administração dos trabalhadores.

O ato ocorreu justamente quando São Paulo recebia outras atividades eleitoreiras da esquerda institucional e da frente ampla. Essas campanhas subordinam as organizações de trabalhadores às combinações eleitorais com políticos ligados à direita tradicional e aos capitalistas. O Partido faz o movimento oposto: usa o período eleitoral para divulgar um programa único em todo o País e organizar trabalhadores em torno dele, para a luta real e cotidiana.

No encerramento diante do Teatro Sérgio Cardoso, depois da chegada das delegações que haviam percorrido a Treze de Maio, um dos dirigentes resumiu:

“Aqui tem representantes desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul. É uma militância combativa. Aqui o pessoal não vem pra ganhar cargo, não vem pra ganhar vantagem. Vem aqui porque acredita no programa de luta que o Partido da Causa Operária leva adiante.”

É nesse ponto que a manifestação de domingo expressou com maior clareza a campanha eleitoral do PCO. A atividade não foi organizada apenas em torno da figura do candidato a presidente. Operários, professores, jovens, índios e militantes dos movimentos populares apareceram simultaneamente como participantes, organizadores, oradores e candidatos. É uma verdadeira campanha da classe operária e dos oprimidos.

Rui Costa Pimenta explicitou ainda que, na concepção do Partido, a disputa eleitoral não é tomada como substituta da mobilização social:

“O nosso objetivo não é o voto. O nosso objetivo é fazer avançar um movimento que lute por esse programa, é ter pessoas que estejam conscientes das necessidades nacionais e das necessidades dos trabalhadores. Nós temos que levar essa campanha para todo o país, como nós temos levado até agora.”

No encerramento, a organização distribuiu material às delegações para a última semana de campanha e afirmou que a atividade partidária continuará depois da votação.

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