Eleições 2026

‘Não dá para parar o PCO’: mais de 2 mil marcham em São Paulo

Ato nacional de encerramento da campanha de Rui Costa Pimenta reuniu delegações de Manaus ao Rio Grande do Sul na Paulista e desceu em passeata até o Bixiga

O Partido da Causa Operária (PCO) levou mais de 2 mil pessoas às ruas de São Paulo neste domingo (27) no ato nacional de encerramento da campanha de Rui Costa Pimenta à Presidência da República. A concentração começou na Praça Oswaldo Cruz, no início da Avenida Paulista, e a manifestação seguiu em passeata pela Rua Treze de Maio até o Teatro Sérgio Cardoso, no Bixiga, coberta de camisetas, bandeiras e faixas vermelhas.

Vieram delegações do Amazonas, do Mato Grosso do Sul, do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, do Paraná, do Distrito Federal, de Goiás, de Pernambuco, da Bahia, do Ceará, de Santa Catarina e do interior paulista. Os guarani-caiová chegaram em três caravanas saídas das aldeias do Mato Grosso do Sul. A bateria Zumbi dos Palmares acompanhou a marcha do começo ao fim, e as bandeiras da Palestina, do Irã e de Cuba seguiram ao lado das faixas do Partido.

O ato ocorreu a uma semana da votação, marcada para 4 de outubro. Durante a campanha, o PCO enfrentou tentativas de cassação de suas candidaturas nos tribunais eleitorais, inclusive em São Paulo, e manteve os candidatos na disputa por meio de recursos. À Causa Operária TV, a candidata ao governo paulista, Izadora Dias, afirmou que o Partido fez campanha pelo Brasil inteiro apesar das tentativas de impedir as candidaturas. “Fica a mensagem: não dá para parar o PCO”, disse.

O único partido vermelho

Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, encerrou as falas na praça apresentando o PCO como “o único partido vermelho dessa eleição”. Defendeu salário mínimo de, pelo menos, R$8 mil, o fim do pagamento da dívida pública, a estatização dos bancos e a recuperação de todas as estatais privatizadas sob administração direta dos trabalhadores. Afirmou que as eleições confirmaram o esgotamento do regime político, conclusão da resolução aprovada no Congresso do Partido neste ano, e denunciou a compra de votos pelo PT, no desespero de perder para Flávio Bolsonaro.

“Nosso partido é o único partido do país que tem a coragem de falar que nós estamos 1.000% com o Hamas, 1.000% com a resistência”, declarou. Pimenta encerrou com a palavra de ordem escrita nas faixas do ato: “Nós queremos a revolução. Queremos a revolução para criar um governo operário, e nós queremos o governo operário para expropriar a burguesia e caminhar para o comunismo”.

Antes dele, falaram o candidato a vice-governador de São Paulo, Nivaldo Orlandi, os candidatos ao Senado Ric Jones, do Rio Grande do Sul, e Luiz Eugênio, do Rio de Janeiro, e os candidatos a governador Bruno Pedreiro, de Santa Catarina, e Izadora Dias, de São Paulo. Ric Jones, preso em junho de 2025 e apresentado no ato como perseguido pelo Judiciário por sua luta pelo parto humanizado, definiu o PCO como “a esperança da esquerda”. Luiz Eugênio, que participou da greve da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) em Volta Redonda contra a privatização de Fernando Henrique Cardoso, defendeu o salário mínimo de R$8 mil como “o primeiro ponto do Rui Costa Pimenta”.

Bruno Pedreiro, que apareceu na rede Globo construindo uma casa em plena agenda de campanha, disse que os trabalhadores devem aprender com os bolivianos a responder à violência da burguesia, “com dinamite e greve”. Izadora Dias denunciou a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral, que tentaram tirar os candidatos do PCO da disputa em São Paulo, e respondeu à direita que ridicularizou o vídeo do companheiro de Santa Catarina. “A agenda do candidato do PCO é a agenda de um trabalhador”, disse.

Na Treze de Maio

A passeata ocupou vários quarteirões na descida da Treze de Maio. Do carro de som, o candidato ao Senado por São Paulo, Ednelson Cesaretti, defendeu a luta armada dos povos oprimidos, citando o Irã contra os Estados Unidos, a resistência palestina e o Iêmen, e atacou a esquerda que apoia Geraldo Alckmin e Simone Tebet. A candidata ao governo da Bahia, Maria Bona, defendeu o calote na dívida pública para pagar o salário mínimo de R$8 mil e a autodefesa das mulheres. O candidato a vice-presidente, Antônio Carlos Silva, chamou os trabalhadores a formar “uma esquerda revolucionária, uma esquerda classista, com um programa de luta que não venda ilusão de que nós vamos resolver os problemas através das eleições”.

A bateria puxou palavras de ordem contra o STF, a Polícia Militar e o Estado sionista, como “Chega de chacina, PM na favela e ‘Israel’ na Palestina”. Diante do Teatro Sérgio Cardoso, a liderança guarani-caiová Helena cobrou da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) a proteção de seu povo e a demarcação das terras prometida pelo governo.

Na concentração, o candidato a deputado federal pelo Mato Grosso do Sul Ramão Popular Lama, da aldeia de Dourados, havia contado à COTV que o governo estadual respondeu com a tropa de choque à reivindicação de água dos índios. “Mandou a tropa de choque lá meter bala nos indígenas”, disse. A coordenação encerrou o ato entregando material de campanha às delegações, que voltam aos estados para a última semana de panfletagem antes da votação.

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