O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, participou de entrevista ao SBT News, dentro da série realizada pela emissora com os candidatos ao cargo. Durante 15 minutos, Rui respondeu a perguntas sobre a perseguição da Polícia Filial contra o Partido e apresentou posições do PCO sobre economia, segurança pública, dívida pública, drogas e a trajetória política do PT.
Logo no início, a entrevista tratou da operação fraudulenta da Polícia Filial, que inventou, sem nenhum indício, que o PCO usaria irregularmente recursos partidários e eleitorais. A apresentadora perguntou ao candidato sobre a acusação de que dinheiro público teria sido direcionado a empresas ligadas a militantes do PCO.
Rui rejeitou a acusação e afirmou que o Partido não realizou nenhuma operação contrária à legislação ou às normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
“Eu não tenho motivo para justificar o uso de milhões. É a lei. Nós recebemos uma parcela muito pequena do fundo eleitoral. E o processo do qual o nosso partido está sendo alvo, em particular, não tem absolutamente nenhum fundamento. Nós não fizemos nada que se oponha nem à lei nem à regulamentação do próprio TSE. Nós prestamos conta do dinheiro que foi gasto em algumas eleições e o que existe são suposições que foram levantadas pela Polícia Federal, não sei por quê, de que o dinheiro teria sido desviado, mas não há nenhuma evidência de que isso tenha acontecido. E, de fato, não aconteceu”, declarou.
A participação do PCO nas eleições presidenciais também foi levantada pelos entrevistadores. Diante da pergunta sobre por que o Partido apresenta uma candidatura mesmo sem dispor dos recursos financeiros das grandes legendas, Rui explicou que a campanha eleitoral é apenas uma das frentes de atividade política do PCO.
“Todo mundo está na eleição para poder se apresentar e apresentar suas ideias. É assim que você vai conseguindo desenvolver uma atividade partidária. O nosso partido é diferente dos demais na medida em que ele é um partido de trabalhadores e gente humilde, não tem apoio de empresários, não tem apoio de pessoas de dinheiro. Então, a eleição é um processo bastante complexo para nós. Todo mundo sabe que, para eleger uma pessoa no Brasil, é um empreendimento milionário. Nós não temos esses recursos, mas, mesmo assim, participamos das eleições procurando divulgar o Partido. E o nosso Partido não é um partido meramente eleitoral. Nós atuamos nos movimentos sociais, de um modo geral, o ano inteiro. A eleição é mais uma atividade que nós desenvolvemos”, afirmou.
O programa econômico do PCO ocupou parte importante da entrevista. Foram citadas propostas como reajuste imediato dos salários, aumento do salário mínimo, estatização de empresas e bancos e cancelamento das dívidas dos trabalhadores. Os entrevistadores perguntaram se medidas desse tipo não provocariam uma saída de capitais do Brasil.
Para Rui, a eventual retirada do capital especulativo não seria necessariamente um prejuízo para o País. O histórico dirigente apontou a dívida pública como um dos principais mecanismos de transferência dos recursos nacionais para os grandes interesses financeiros e defendeu a interrupção de seu pagamento.
“Poderia gerar uma fuga de capitais, principalmente do capital especulativo. Não sei se isso seria uma coisa prejudicial para o País. O Brasil tem recebido muito capital estrangeiro e ele não consegue se desenvolver. As pessoas investem nas empresas brasileiras, o dinheiro vai para fora e o povo brasileiro fica na miséria. Uma questão que nós levantamos, em relação ao financiamento das atividades em geral, é o problema da dívida pública. Nós achamos que não dá para o País conviver com uma dívida pública em que só o pagamento de juros e serviço da dívida absorve 50% do orçamento federal. O Estado precisaria cancelar o pagamento da dívida pública, que é muito mais dinheiro do que qualquer projeto que a gente possa fazer no sentido de beneficiar os trabalhadores”, disse.
Indagado sobre por que outros presidentes não enfrentaram o problema dessa maneira, Rui afirmou que suspender o pagamento da dívida significaria entrar em conflito com os credores e com o capital financeiro internacional.
“Nenhum presidente faz isso porque comprar uma briga com os credores é comprar uma briga com o mercado financeiro internacional que controla a economia brasileira. Agora, eu acho que é uma briga que pode ser comprada. O problema do isolamento do Brasil em relação ao mercado mundial, já nessa altura dos acontecimentos, não é um problema tão grave assim. Eu acho que é necessário fazer uma opção: se dar bem com os banqueiros e com os especuladores internacionais ou pensar no futuro do País”, afirmou.
Na segurança pública, a entrevista abordou algumas das propostas mais características do programa do PCO: o fim da Polícia Militar, o direito ao armamento da população e a organização de comitês populares de autodefesa. A pergunta apresentada foi se a substituição das atuais forças policiais por organizações formadas pela própria população poderia favorecer o crescimento de milícias.
Rui respondeu que as milícias já existem sob o sistema atual e apontou a incapacidade da polícia de proteger amplos setores da população.
“As milícias já existem. E elas existem em grande medida porque a população não tem como se defender da milícia e a polícia se mostra totalmente ineficaz. Há toda uma discussão de que grupos criminosos controlam várias áreas do País. Eu acho que nós temos que confiar no cidadão brasileiro, temos que confiar no povo brasileiro, na sua integridade, no seu amor pelo lugar onde ele vive, e que uma organização feita pela própria população e controlada pela própria população seria mais honesta e mais eficiente do que o tipo de polícia que nós temos hoje, que sofre inúmeras denúncias de corrupção, de violência contra a população pobre e tudo mais”, declarou.
Segundo Rui, uma força organizada e controlada pelos próprios moradores teria maior proximidade com a população e poderia substituir um aparelho policial que, em sua avaliação, protege prioritariamente os setores de maior renda.
A questão do crime organizado levou à discussão sobre a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Rui se declarou contrário à medida e afirmou que esse tipo de enquadramento poderia abrir espaço para métodos excepcionais de repressão.
O candidato relacionou ainda o poder econômico das grandes organizações criminosas à proibição das drogas. Para o PCO, a legalização retiraria dessas organizações uma de suas principais fontes de renda.
“Nós teríamos que ir às causas do problema. Por que essas organizações são tão poderosas? É devido ao fato de que as drogas são proibidas. Você proíbe um negócio altamente lucrativo, para o qual há uma enorme demanda que ninguém consegue controlar de maneira nenhuma, e isso serve como combustível para organizações ilegais. Nós defendemos a legalização das drogas para acabar com o crime da droga, e isso permitiria que o Estado e a população tivessem um maior controle da situação. Essa proposta de legalização das drogas tem sido discutida e levantada em muitos países. Não é uma proposta original nossa. Eu acho que a solução para o crime organizado é essa: a legalização das drogas”, afirmou.
O último assunto foi a relação entre o PCO e o Partido dos Trabalhadores. Um dos entrevistadores mencionou que a organização que deu origem ao PCO havia pertencido ao PT e perguntou por que, apesar das divergências, o Partido posteriormente se posicionou em defesa de Lula.
Rui lembrou que a Causa Operária não saiu voluntariamente do PT, mas foi expulsa por divergências políticas. Para ele, os conflitos daquele período antecipavam problemas que mais tarde se aprofundariam no Partido dos Trabalhadores.
“Eu acho que o PT perdeu o rumo, mas faz muito tempo isso. Nós não somos uma dissidência no sentido literal, nós fomos expulsos do PT por divergências políticas. E essas divergências políticas têm a ver justamente com aquilo que o PT é hoje, que é um partido que está envolvido com uma política tradicional, o toma lá dá cá do Congresso, relações extremamente negativas com ministros do STF vinculados ao escândalo do Banco Master, escândalos dentro do próprio partido. Então, eu acho que o PT perdeu o rumo como partido popular há muito tempo”, declarou.
Rui explicou ainda que o posicionamento do PCO diante de Lula mudou após a derrubada de Dilma Rousseff. Embora o Partido não tivesse apoiado o governo Dilma, considerou seu afastamento um golpe de Estado e posteriormente se colocou contra a perseguição judicial movida contra Lula.
A entrevista encerrou a série de sabatinas do SBT News com os candidatos à Presidência da República.




