Na reta final da campanha presidencial, o PT revelou-se desesperado com a possibilidade cada vez mais ameaçadora de Lula ser derrotado. Buscando aumentar o número de eleitores, o governo lançou mão de um arsenal de medidas demagógicas e da disseminação de mentiras contra seu principal adversário.
O primeiro capítulo dessa desmoralização é uma evidente compra de votos. Após três anos com o Bolsa Família congelado pelo próprio governo Lula, no qual a fome voltou a ser realidade para milhões de brasileiros, eis que surgem, magicamente, às vésperas da eleição, os aumentos do benefício. Três anos de abandono, e a solução surge justamente quando o voto vale mais que o povo.
Somem-se a isso o “Desenrola”, que nada mais é que uma enrolação: um esquema de renegociação de dívidas que não ataca as causas do endividamento — os juros escorchantes para encher o bolso dos banqueiros. E, como se não bastasse, a proibição das bets, medida que finge proteger o povo contra o jogo, mas cujo objetivo real é defender os interesses dos grandes bancos, que temem que seus clientes fiquem inadimplentes. E o detalhe mais grave: uma proibição imposta de cima para baixo, sem debate, que não vai acabar com as apostas.
O segundo capítulo é o da hipocrisia. Durante anos, PT e a esquerda institucional aplaudiram e aplaudem todas as formas de censura e perseguição judicial contra adversários políticos, sob o pretexto santificado de combate às “fake news”. Anularam candidaturas, prenderam opositores, calaram jornalistas — tudo em nome da defesa da verdade. Mas, na reta final da campanha, foram justamente os petistas que se viram disseminando mentiras de que Flávio Bolsonaro retiraria o status de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.
Por que o PT utiliza o mesmo jogo sujo da direita? O motivo imediato é que o partido não tem um programa político a utilizar para esclarecer a população sobre o que fará em mais quatro anos de governo. Então usa esses artifícios, bem como o do “voto útil” ou o do “mal menor”.
O governo Lula é um governo impopular. Sua política econômica é direitista: austeridade disfarçada, juros estratosféricos, arrocho salarial e total submissão ao capital financeiro. E seu apoio incondicional à ditadura do judiciário ruiu — junto com a credibilidade do STF, hoje totalmente desmoralizado pelo escândalo Master envolvendo Moraes. A realidade concreta dos trabalhadores, somada à campanha da imprensa burguesa contra sua candidatura, que, em última instância, são possibilitadas pela própria política desastrosa do PT, levaram a um descrédito muito grande da candidatura petista diante da população.
Mas há um plano de fundo para esse jogo sujo. A verdade é que a integração do PT ao regime político da burguesia, iniciada há quatro décadas, está alcançando seu nível mais dramático, à medida em que o próprio partido se degenera a passos largos e sua política de colaboração de classes chega próxima ao fundo do poço.
Eis um grande sintoma de decomposição política: um partido de esquerda apela para a compra de votos aberta e a disseminação de mentiras contra o principal rival.
A esquerda sempre sustentou que se conquista o povo pela consciência: politizando, elevando a capacidade de julgar a realidade material. Agora, o PT e seus satélites (PSOL, PCdoB etc.), sedentos por cargos, tratam o povo como gado — embabacando-o com medidas eleitoreiras e enganando-o com falsidades.
Se vencer as eleições, não será por mérito do PT. Uma esquerda assim prova, com seus métodos, que não tem nada a oferecer ao povo.





