Governo da Paraíba

Camilo Duarte denuncia privatizações e exploração dos profissionais da saúde

No videocast do Simed-PB, candidato do PCO falou dos contratos PJ, dos atrasos salariais e da falta de atendimento no interior

O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo da Paraíba, Camilo Duarte, foi entrevistado no videocast Aqui se fala de tudo, do Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB). Professor e militante do Partido desde 2002, afirmou que sua candidatura representa a política do PCO e não um projeto pessoal, ao contrário dos candidatos burgueses.

Uma vitória eleitoral, argumentou, não resolveria por si só os problemas dos hospitais: os trabalhadores precisam se organizar para exigir mudanças.

“Como eu disse antes, isso não é sobre um candidato. […] O PCO defende a independência política dos trabalhadores. […] Sem independência política, não há jeito de ter independência econômica, não há forma de ter desenvolvimento.”

Na saúde, apontou duas medidas: contratar profissionais por concurso e investir o dinheiro público na própria rede. Criticou os repasses a empresas privadas enquanto faltam pessoal e estrutura nos hospitais. Também se opôs aos contratos que obrigam médicos a trabalhar como pessoas jurídicas, sem os direitos de um empregado. Para quem hoje tem vínculo temporário, defendeu contratação permanente e pagamento igual por trabalho igual.

As perguntas sobre a Fundação PB Saúde levaram a discussão aos atrasos de pagamento dos médicos contratados como PJ. Camilo propôs que os trabalhadores dos hospitais elejam representantes para participar da administração e sustentou que os contratos PJ devem acabar. Salários atrasados e ausência de direitos, afirmou, atingem os profissionais e o atendimento dos pacientes.

O sindicato lembrou que o adicional de insalubridade de parte dos profissionais ficou anos sem reajuste. Camilo propôs calculá-lo como percentual do salário, em vez de manter um valor fixo. Também defendeu reposição automática quando a inflação chegar a 3%, aposentadoria após no máximo 30 anos de trabalho e revogação das reformas trabalhista e previdenciária.

Sobre as dificuldades de conseguir consultas e cirurgias fora dos grandes centros, lembrou que muitos municípios dependem de transferências federais. Sem mais recursos, disse, eles não conseguirão oferecer os serviços de que a população precisa. Citou o acompanhamento pré-natal e a prevenção como trabalhos que exigem investimento contínuo. A telemedicina poderia ajudar em certas situações, mas não substituir o contato do médico com o paciente.

Ao discutir a saúde mental dos médicos, o candidato recorreu à experiência de professor: contou que já teve nove turmas de 35 a 40 alunos. Não conseguia acompanhar cada estudante como deveria. Nos hospitais, argumentou, exigir que um médico atenda um paciente em poucos minutos também prejudica o profissional e quem precisa de cuidados.

“Você não pode falar sobre [saúde mental] se você não tem uma mudança em suas condições de trabalho. […] Tem que modificar as condições de trabalho para poder ter estabilidade na saúde mental. Não há outra maneira.”

Perguntado sobre os primeiros cem dias de governo, não anunciou uma lista de medidas administrativas. A resposta foi uma defesa da mobilização por salários, direitos e verbas para a saúde. Ao encerrar a entrevista, convidou médicos e demais trabalhadores a conhecer as propostas do PCO e a participar dessa luta.

“A votação não vai mudar isso. […] Sem envolver a população, sem ter mobilização, a eleição [sozinha] não vai resolver.”

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