Mulheres ligadas a diferentes correntes da esquerda brasileira divulgaram um manifesto contra aquilo que classificam como “apagamento do sexo” nas políticas públicas e no próprio movimento feminista. O documento foi publicado na quinta-feira (18) pela associação Matria, que se apresenta como suprapartidária e informa possuir 460 associadas, das quais 63% se identificam politicamente com a esquerda.
O manifesto é assinado por mulheres sem filiação e por filiadas ao PCdoB, PCO, PDT, PSB, PSOL, PT, PV e Rede. As autoras afirmam partir de tradições feministas materialistas e marxistas e defendem que sexo e gênero sejam tratados como conceitos distintos.
O texto sustenta que o sexo deve continuar sendo registrado em áreas como saúde, estatísticas de violência, direitos reprodutivos, esporte, sistema prisional e políticas destinadas especificamente às mulheres. Também critica decisões do Estado e do Judiciário que, na avaliação das signatárias, passaram a privilegiar a autoidentificação sem discussão pública suficiente.
Ao mesmo tempo, o manifesto declara que travestis e pessoas trans têm direito à saúde, educação, trabalho, segurança e proteção contra violência e discriminação. A divergência apresentada diz respeito à adoção da identidade individual como único critério para políticas originalmente baseadas no sexo.
“O que repudiamos é o apagamento do sexo como categoria relevante para a garantia dos direitos das mulheres”, afirma o documento. As signatárias também defendem liberdade para que a discussão seja realizada dentro da esquerda sem expulsões, intimidações ou acusações automáticas contra quem diverge.





