Crianças com síndrome de Down na Faixa de Gaza perderam habilidades adquiridas durante anos de educação e reabilitação depois da destruição de centros especializados, dos sucessivos deslocamentos e do trauma provocado pela guerra. Uma reportagem do Middle East Eye acompanhou famílias que tentam reconstruir esse aprendizado. O veículo classifica a ofensiva de “Israel” em Gaza como genocídio; “Israel” rejeita essa caracterização.
Heba Alataar, de 13 anos, havia aprendido a se comunicar, cuidar da higiene pessoal e começava a ler e escrever. Depois dos bombardeios e das mudanças forçadas de abrigo, perdeu boa parte dessas capacidades.
“A guerra tirou tudo de Heba. Ela perdeu todas as habilidades, os interesses e a rotina. Voltou ao ponto de partida, como se nunca tivesse recebido educação ou cuidados”, declarou seu pai, Alaa Alattar, ao Middle East Eye.
A Right to Live Society (RLS), que atende crianças com síndrome de Down e outras necessidades de desenvolvimento, possuía três centros em Gaza antes da guerra. Hoje, parte do atendimento ocorre em estruturas improvisadas. Uma organização humanitária que visitou a RLS em julho registrou falta de produtos de higiene, acompanhamento médico, transporte seguro e atendimento especializado.
Saja Abed Rabbo, também de 13 anos, passou a entrar em pânico ao ouvir explosões e perdeu a autonomia para usar o banheiro, segundo sua mãe. Outra adolescente, Fatima Sultan, teve regressão na comunicação, alterações de comportamento e crises noturnas.
A UNICEF calcula que quase um milhão de crianças em Gaza foram submetidas a experiências traumáticas provocadas por anos de bombardeios e combates.
Professores da RLS passaram a improvisar materiais escolares com papelão e embalagens de ajuda humanitária. As famílias afirmam que algumas crianças começam novamente a recuperar habilidades de comunicação, higiene, leitura e escrita.





