O ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, denunciou a campanha usada pelas potências imperialistas para justificar os preparativos de guerra contra a Rússia. A declaração foi feita na abertura do quarto Congresso do Movimento Internacional de Russófilos.
Lavrov afirmou que a ofensiva contra seu país ganhou intensidade às vésperas das eleições para a Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo. Governos e órgãos de propaganda do imperialismo procuram apresentar qualquer relação com a cultura, a língua ou a história russas como uma atividade suspeita.
O ministro destacou que ainda há muitas pessoas nos países ocidentais interessadas nas tradições e na cultura da Rússia, apesar da censura, das sanções e da perseguição política. Esses laços contrariam a tentativa de transformar o povo russo em inimigo absoluto dos europeus.
Lavrov afirmou que os representantes dos Estados Unidos se mostram mais dispostos ao diálogo do que os dirigentes da Europa. Ainda assim, as conversas com os norte-americanos não produziram resultados concretos para a Rússia e dificilmente produzirão no futuro próximo. A Casa Branca mantém a pressão militar, econômica e diplomática mesmo quando abre canais de negociação.
Os governos europeus, por sua vez, aceleram o rearmamento, ampliam os orçamentos militares e apresentam a guerra como inevitável. A alegação de que Moscou prepara uma invasão serve para justificar novas armas, mais tropas da OTAN e a retirada de recursos dos serviços públicos.
O chanceler também acusou o Ocidente de aplicar dois pesos e duas medidas ao direito internacional. As potências imperialistas invocam a integridade territorial quando isso atende a seus interesses, mas violam os demais princípios da Carta das Nações Unidas e ignoram a soberania dos países que se recusam a obedecer.
Na Iugoslávia, no Iraque, na Líbia e na Síria, o imperialismo bombardeou, ocupou e dividiu países sem autorização de seus povos. Agora, as mesmas potências procuram apresentar a Rússia como a única ameaça à paz mundial.
Lavrov afirmou que o comportamento dos governos ocidentais convenceu um número crescente de países a tratar com cautela qualquer acordo assinado com eles. O ministro apontou a Organização para Cooperação de Xangai como um dos principais meios de defesa da segurança e do desenvolvimento na Eurásia.
Ele ainda criticou informações sobre a intenção das autoridades ucranianas de erguer um “panteão de heróis” que abrigaria restos mortais de figuras nazistas. O culto oficial aos colaboradores do nazismo, sustentado pelas potências que dizem defender os “valores europeus”, acompanha a censura da cultura russa e a preparação militar contra Moscou.


