Poucas semanas depois de sua assinatura, o pacto militar entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão já enfrenta questionamentos sobre sua capacidade de defender seus integrantes.
O Ansar Alá avançou pela costa iemenita e, paralelamente, instalações estratégicas sauditas foram atacadas. Apesar disso, não houve resposta militar conjunta dos três países.
As críticas cresceram depois da conquista de posições próximas a Bab al-Mandab e do ataque contra o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, por onde circulava quantidade equivalente a cerca de 4% da oferta mundial de petróleo.
Um alto funcionário turco ouvido pelo Middle East Eye afirmou que o tratado ainda não está juridicamente em vigor.
A Turquia pretende encaminhá-lo ao parlamento, possivelmente em outubro. A legislação do país impede que o presidente ratifique sozinho acordos de segurança dessa natureza.
No Paquistão, o tratado também depende do Legislativo. Na Arábia Saudita, a aprovação pode ocorrer diretamente por decreto real.
A ratificação, porém, será apenas uma etapa. Os três países ainda precisam criar estruturas de comando, elaborar planos de defesa, estabelecer procedimentos de consulta e preparar suas forças armadas para operações conjuntas.
Até agora, foi decidida a criação de uma secretaria sediada na Arábia Saudita e comandada inicialmente por um secretário-geral paquistanês, com mandato de três anos.
O próprio funcionário turco reconheceu que a montagem da estrutura militar “pode levar alguns anos”.
O pacto havia sido apresentado como um sistema de defesa no qual uma agressão contra um integrante seria tratada como agressão contra todos. A fórmula foi comparada ao artigo 5 da Otan.
Diante dos ataques, Ancara passou a destacar que essa cláusula não significa uma resposta militar automática. O país atingido deve solicitar consultas, após as quais os demais governos decidem que tipo de auxílio prestarão.
Turquia e Paquistão limitaram-se a condenar os ataques contra a Arábia Saudita. Islamabad afirmou que Riade não havia solicitado intervenção militar.
Enquanto a nova aliança discute ratificação, comandos e procedimentos, o Ansar Alá tomou Mocha e avançou sobre posições que controlam Bab al-Mandab.





